quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Facebook teria incitado a desconfiança de Trump contra o TikTok, diz jornal


via R7

Segundo matéria publicada hoje (24) pelo Wall Street Journal, o homem por trás do Facebook, Mark Zuckerberg, teria sido o responsável por incitar as desconfianças do governo dos EUA, bem como do próprio Donald Trump, acerca da crescente popularidade de aplicativos chineses – em especial o TikTok – e as empresas por trás deles.

Conforme relata o Engadget, a alegação seria de que Zuckerberg teria aproveitado sua visita a Washington no final do ano passado para expor, pública e privadamente aos membros do governo, suas preocupações sobre a ameaça que os rivais chineses representam. Apesar do TikTok só ter 'estourado' mundialmente em 2020, o app já era popular na Ásia antes disso e, segundo o jornal, as preocupações do senado estadunidense com a segurança da rede social só teriam começado após a visita de Zuckerberg.

Em outubro do ano passado, Zuckerberg também discursou na Georgetown University, alegando que publicações [contra o governo Chinês] são comumente censuradas no TikTok e que, por isso, o app seria contra os valores norte-americanos. Zuckerberg também teria perguntado aos estudantes, "é essa a Internet que queremos?"

Embora o governo norte-americano já demonstre ter preocupações com a segurança do TikTok – em agosto, Donald Trump assinou duas ordens executivas para banir o TikTok e o WeChat do país, caso ambos não fossem vendidos à empresas dos EUA – há quem reconheça que o alarmismo criado sobre os aplicativos chineses pode ser uma estratégia do Facebook. Para Josh Hawley, senador do partido republicano, o objetivo da empresa seria criar um inimigo externo e, com isso, "aumentar sua própria credibilidade", mas isso, por si só, não afastaria as ameaças que os aplicativos chineses supostamente representam.

"Nossa visão sobre a China é clara: devemos competir. Mas conforme as empresas chinesas e sua influência crescem, também cresce o risco de uma internet mundial baseada em seus valores, que são opostos aos nossos" - Andy Stone, porta-voz do Facebook

As acusações contra o conglomerado de Zuckerberg também não param por aí: a reportagem do WSJ ainda afirma que o Facebook vem gastando enormes cifras em lobby (advocacia corporativa, em bom português), e que até instituiu um grupo de advogados chamado "American Edge", cujo objetivo seria melhorar as interações das empresas de tecnologia com o governo. O TikTok, por sua vez, também acusou a gigante de estar usando a política para destruir um rival.

O Engadget ainda ressalta que, em julho, o CEO do TikTok e COO da ByteDance, empresa que controla o aplicativo, publicou uma carta aberta ao Facebook, convidando a empresa para "lançar outra cópia [do TikTok], após a primeira cópia [o app Lasso] ter fracassado rapidamente". No mesmo documento, o executivo da chinesa ainda teria acusado o Facebook de estar caluniando o TikTok e outros concorrentes da China com a desculpa de ser patriota e com o objetivo de acabar com a existência dessas companhias nos EUA.

Vale do Silício em apuros

As revelações contra o Facebook não poderiam vir em pior hora: há menos de um mês, os magnatas Tim Cook, Sundar Pichai, Jeff Bezos e o próprio Mark Zuckerberg, CEOs das gigantes Apple, Google, Amazon e Facebook, respectivamente, enfrentavam uma audiência no congresso dos EUA sob a alegação de que suas empresas realizavam práticas anticompetitivas. No caso do Facebook, Zuckerberg teve de explicar as diversas vezes em que comprou os concorrentes após ver neles uma ameaça aos negócios de sua empresa.

Casos como a aquisição do Instagram e do WhatsApp seriam ilustrativos disso, visto que paira sobre essas negociações a suspeita de que o Facebook teria pressionado os donos a venderem suas empresas, insinuando que seria possível destruí-las caso o Facebook lançasse serviços similares. Gostando ou não, foi exatamente o que ocorreu com o Snapchat, que após não acertar sua aquisição pela gigante de Zuckerberg, viu o Instagram "roubar" suas funcionalidades e, consequentemente, toda a sua base de usuários.

Ainda que o Facebook não alimente quaisquer expectativas de que irá comprar o TikTok, principalmente devido ao investimento que tem feito no Instagram, adotando funcionalidades similares às do concorrente, a acusação do jornal chega para aumentar as desconfianças sobre os interesses das gigantes do Vale do Silício e, principalmente, sobre o quão longe elas estão dispostas a ir para defendê-los.

Esse, inclusive, é um assunto que desperta uma disputa de narrativas dentro dos EUA: por um lado, há aqueles que defendem que empresas como o Facebook devem satisfações ao poder público, sobretudo quando agem de forma predatória e ameaçam o livre comércio. Por outro lado, também há quem veja o avanço de empresas chinesas em diversos setores como uma ameaça ao American Way of Life (estilo de vida norte-americano), contra a qual a guerra comercial e os banimentos deflagrados por Trump se legitimam.

Celulares chineses eram vendidos com vírus que rouba dinheiro


Celulares chineses de baixo custo vinham com vírus que usa o pacote de dados e rouba dinheiro por meio de serviços pagos contratados sem o conhecimento do usuário. O problema vinha acontecendo com o smartphone Tecno W2, vendido majoritariamente em países africanos. Os aparelhos chegavam aos consumidores com os malwares Triada e xHelper instalados de fábrica, causando problemas que não eram resolvidos nem mesmo restaurar o dispositivo aos padrões de fábrica.

Casos de Tecno W2 infectado foram registrados na África do Sul, Etiópia, Camarões, Egito e Gana, além da Indonésia e Mianmar, na Ásia. O smartphone é fabricado pela companhia chinesa Transsion. As informações foram divulgadas pela plataforma Secure-D e pelo BuzzFeed News.



O Tecno W2 chama a atenção pelo baixo custo. Com preço de US$ 30 – o que dá por volta de R$ 170 –, ele tem como público-alvo os consumidores com baixo poder aquisitivo, o que contribuiu para aumentar a polêmica. O smartphone vinha de fábrica com dois malwares que baixavam aplicativos silenciosamente e assinavam serviços pagos sem consentimento do usuário. Compradores se deparavam com contas inesperadas e excesso de uso do pacote de dados.

Além dos problemas esperados de um malware, o Triada e o xHelper se destacam por não serem removidos quando o celular é restaurado aos padrões de fábrica.

De acordo com a Secure-D, 844 mil transações fraudulentas foram bloqueadas entre março e dezembro de 2019. O diretor administrativo da empresa, Geoffrey Cleaves, conta que a Transsion representa apenas 4% do tráfego dos usuários na África, mas é responsável por mais de 18% de todos os cliques suspeitos no continente.

A Transsion atribuiu a responsabilidade pelos malwares maliciosos a um fornecedor não identificado no processo da cadeia de suprimentos. Ela afirmou ainda que realizou correções para Triada em março de 2018 e xHelper no final de 2019, o que parece não ter funcionado, já que a Secure-D garante ter bloqueado os programas até abril de 2020.

Apesar de não haver evidências de que a Transsion estaria envolvida ou tenha se beneficiado do problema, isso não ajuda com a reputação dos telefones chineses que já sofrem com suspeitas. A Huawei, por exemplo, vem enfrentando uma crise com o governo dos Estados Unidos por suspeita de espionagem.

Além disso, ano passado a Secure-D já havia descoberto a presença de malwares que roubam dinheiro em alguns telefones da Alcatel, causados por aplicativos nativos de responsabilidade da fabricante chinesa TCL.

Banco do Brasil negocia dívidas por Whatsapp e já refinanciou R$ 7 milhões

via R7

Desde o início de agosto o Banco do Brasil permite que clientes em dívida com o banco renegociem seus débitos através do Whatsapp. Pouco menos de um mês depois, a instituição revela que já realizou 800 negociações com pessoas físicas e já refinanciou R$ 7 milhões – tudo num sistema formado inteiramente por inteligência artificial (IA), sem funcionários humanos. A expectativa do banco é terminar 2020 com até R$ 100 milhões em refinanciamentos.

A API que realiza os refinanciamentos está dentro do Whatsapp Business, uma versão do aplicativo destinada a empresas e que tem por objetivo ser um canal de comunicação entre diferentes tipos de estabelecimentos – desde pequenos negócios a gigantes como o banco estatal – e seus clientes. Na prática, é um chat de atendimento no Whatsapp e que, segundo o banco, permite renegociar débitos de até R$ 1 milhão, tudo de forma intuitiva e sem depender da disponibilidade de atendentes, já que o sistema pode ser operado por IA.

Como utilizar

O Banco do Brasil informa que, caso o cliente se enquadre no público alvo da iniciativa, a IA oferece até três opções para a quitação do débito. Por meio da ferramenta, também é possível cancelar os acordos firmados, emitir a segunda via dos boletos da renegociação e até antecipar o pagamento das parcelas. Para acessar o canal de atendimento e refinanciar sua dívida, o cliente deve adicionar o número 61 4004-0001 em sua lista de contatos e enviar a mensagem #Renegocie, através do Whatsapp.

Embora seja possível concluir a negociação interagindo apenas com a inteligência artificial, o banco também permite que o cliente fale com atendentes reais durante a conversa. Sempre que a IA identificar que não pode resolver o problema, oferecerá a possibilidade de um atendente humano assumir a conversa, mediante disponibilidade. A dinâmica do atendimento é bem parecida com o que já ocorre dentro dos aplicativos dos bancos, em chats – só que ocorre através do Whatsapp e, por isso, tende a ser mais acessível para o cliente.

Embora a renegociação de dívidas seja novidade, desde 2017 o Banco do Brasil utiliza o Whatsapp como canal de atendimento. Com a chegada do Whatsapp Business, em 2018, o uso de inteligências artificiais permitiu ampliar os serviços, possibilitando que os clientes, além de tirar dúvidas, realizassem transações financeiras. Com a pandemia da COVID-19, o banco viu o atendimento via Whatsapp crescer exponencialmente: só nos últimos quatro meses, mais de 5 milhões de clientes contataram o banco através do app.