quinta-feira, 18 de julho de 2019

Nova plataforma online e gratuita ensina programação a estudantes brasileiros


A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), em parceria com o Datawheel e Innpact Ventures, lançou o CodeLife para ensinar programação a estudantes brasileiros. Por meio da plataforma online gratuita e de código aberto, o estudante aprende programação usando HTML, CSS e JavaScript.

"No Brasil, vimos que os jovens usam a tecnologia, mas não sabem como é feita uma página da web, por exemplo. O CodeLife ensina os primeiros passos para se produzir o mundo digital. É uma plataforma que permite ao usuário passar da posição de consumidor para transformador da paisagem web", explica Cesar Hidalgo, professor do MIT Media Lab e co-fundador do Datawheel.

A iniciativa surgiu em 2015, quando 11,2%1 dos alunos matriculados no ensino médio abandonaram os estudos antes de se formarem. Tendo em vista o alto índice de evasão escolar da rede pública e as perspectivas de transformação digital no mercado, foi desenhado o currículo do programa, que pretende complementar o preparo dos jovens para o mercado de trabalho.

"Tentamos abrir o leque dos jovens e demonstrar a importância do conteúdo que eles aprendem na escola. Eles vão ter uma visão da programação. Vão poder usar o Inglês, a Matemática, o Português e outras disciplinas. Com esse curso, eles vão ter possibilidades melhores, já que sabemos que o futuro das profissões vai estar ligado à programação", destaca o coordenador do projeto, Thiago Borges.

O CodeLife é um recurso online e livre, que independente da regência do professor e sua proficiência em programação, mas pode ser usado facilmente conjugado ao currículo escolar, apoiando projetos de pesquisa, empreendedorismo ou as atividades da educação integral. Professores e alunos podem se apropriar da plataforma, que está disponível em português e em inglês. O formato gamificado foi planejado para atrair e reter adolescentes, com lições rápidas, textos curtos e ilustrações. O estudante é responsável por seu próprio progresso, praticando quando e onde quiser.

Como utilizar a plataforma

Para iniciar o curso basta acessar a plataforma: codelife.com , registrar-se usando e-mail, ou o perfil em uma rede social, e já pode começar. O conteúdo está distribuído entre 10 módulos de aprendizagem. Ao final de cada módulo o estudante implementa o que aprendeu nas lições anteriores, ou seja, é capaz de fazer webpages cada vez mais complexas. Além das tarefas propostas no curso, o estudante tem espaço para realizar seus projetos autônomos e também pode colaborar em trabalhos coletivos.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Site ‘Não Me Perturbe’ vaza chave de email que permite ataque hacker


O site "Não Me Perturbe" começou a funcionar ontem (16) e permite o cadastro de números para bloquear chamadas de telemarketing das empresas Algar, Claro, Oi, Nextel, Sercomtel, Sky, TIM e Vivo. A iniciativa é fruto de um acordo entre operadoras e a Anatel para "padronizar o uso deste mecanismo [telemarketing], em alinhamento com o crescente debate do tema pela sociedade e em respeito ao cidadão", informa o site. Na noite desta terça-feira (16), o "Não Me Perturbe" acabou vazando a chave do SendGrid.

A denúncia do vazamento chegou ao TecMundo no início da noite desta terça-feira (16) por uma fonte anônima. O Sendgrid é um serviço de email baseado em nuvem que fornece uma entrega de email transacional, escalabilidade e análise em tempo real confiáveis com APIs flexíveis que facilitam a integração personalizada, informa o site da Microsoft Azure.

"De posse da chave, um usuário malicioso pode usá-la para enviar emails se passando pelo site, até com todas as validações de segurança que um email real do site teria", explica o pesquisador de segurança Boot Santos, que foi consultado pelo TecMundo sobre o caso. "O cenário de ataque aproveitando os vazamentos de emails e dados é um ataque de phishing direcionado".



O que isso significa? Que um cibercriminoso com essa chave em mãos poderia simular um email do Não Me Perturbe, com domínio e credenciais reais, para roubar dados pessoais e até financeiros de um cidadão.



O TecMundo entrou em contato com a Anatel sobre o caso e busca contato com as operadoras envolvidas para um posicionamento e uma solução para o problema. Vale notar que o problema é um erro básico de configuração do servidor e do desenvolvedor. Ao olhar o site, está claro que seu desenvolvimento "não foi dos melhores", visto que, se julgarmos apenas a aparência, o que notamos é um site que mais lembra um domínio falso do que algo legítimo.

As responsáveis pelo site são as operadoras Algar, Claro, Oi, Nextel, Sercomtel, Sky, TIM e Vivo, que criaram o domínio após pedido da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Por ele, milhões de dados serão repassados: o usuário pode registrar seu número de telefone no Não Me Perturbe para não receber ligações de telemarketing das prestadoras de telecomunicações signatárias, com natureza de venda de produtos e serviços (telefonia fixa, celular, internet e TV por assinatura).


"É um canal único na internet no qual o usuário fará a inclusão de seu número no Cadastro Nacional Setorial de Não Perturbe e poderá escolher de quais operadoras não deseja receber ligações. Para isso, terá que informar nome completo, CPF e e-mail, para criar um login e senha de acesso. O bloqueio será efetivado em até 30 dias corridos a partir da data da solicitação", explica a Sinditelebrasil.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Terra é plana para 7% dos brasileiros, aponta pesquisa do Datafolha


Olhe para o horizonte e você terá todas as pistas que precisa para reforçar algo que Aristóteles sacou há mais de dois mil anos: a Terra, este querido lugar que habitamos, é redonda. Mas, em 2019, ainda há uma parcela da população mundo afora que não está convencida. No Brasil, por exemplo, segundo conclusão de uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha no início deste mês, 7% dos brasileiros acredita que o formato da Terra é plano. As informações são da Folha de S. Paulo.

O levantamento entrevistou 2.086 pessoas, maiores de 16 anos em 103 cidades do Brasil. Segundo a Folha, trata-se do primeiro a estimar quantos brasileiros estão céticos a toda espécie de conclusão científica acumulada em centenas de anos e contrariam o senso comum de que o planeta é esférico. São cerca de 11 milhões de pessoas.

Segundo o Datafolha, para 90% dos entrevistados a terra é sim redonda, enquanto 3% não soube dizer a sua forma. Vale ressaltar, entretanto, que de acordo com o instituto de pesquisas, a crença de que a Terra é plana se revelou inversamente proporcional à escolaridade. "Enquanto 10% das pessoas que deixaram a escola após o ensino fundamental defendem o chamado terraplanismo, essa parcela diminui entre os que estudaram até concluir o ensino médio (6%) ou superior (3%)" concluiu o levantamento.

O terraplanismo é maior entre os jovens, apontou o estudo. Abaixo de 25 anos, 7% creem na Terra plana, e o número cai para 4% na faixa entre 35 e 44 anos. A teoria é mais popular, porém, entre aqueles acima dos 60 anos. O Datafolha apontou que 11% adotam a crença.

Nos Estados Unidos, pesquisa feita pela consultoria YouGov, também concluiu resultados semelhantes ao do Datafolha. Lá, 2% dos americanos creem na Terra plana e 5% têm dúvidas sobre a esfericidade do planeta. Jovens abaixo de 25 anos eram duas vezes mais inclinados ao terraplanismo.

Redes sociais e plataformas como o YouTube têm sido apontadas como grandes "vilãs" na propagação de fake news e teorias conspiratórias. Um estudo realizado recentemente pela Texas Tech University, nos EUA, entrevistou um total de 30 pessoas para entender como elas passaram a acreditar na teoria de que a Terra é plana. Nada menos do que 29 dessas 30 pessoas afirmaram que não acreditavam que a Terra era plana até dois anos atrás, destacando que mudaram de ideia justamente após assistir a vídeos sobre teorias da conspiração no YouTube. Como resposta, o YouTube já anunciou que a seção de vídeos recomendados não passará mais a exibir vídeos que promovam a desinformação.