sábado, 9 de junho de 2018

“A soberania nacional precisa ser resgatada”, afirma economista Nelson Marconi

“A soberania nacional precisa ser resgatada”, afirma economista Nelson Marconi
via CSB


Entrevistado do programa +Opinião São Paulo, da Fundação Leonel Brizola Alberto Pasqualini, o economista Nelson Marconi afirmou que o Brasil precisa de um plano nacional de desenvolvimento para “retomar o crescimento do País com geração de empregos”. Segundo o professor da Fundação Getúlio Vargas, o Estado tem papel fundamental na economia quando se trata de setores essenciais para o País. “A soberania nacional precisa ser resgatada”, defende.

“Num programa nacional desenvolvimentista, existem áreas que são estratégicas, e o Estado tem de continuar estimulando que essas áreas se desenvolvam. O Estado tem um papel do ponto de vista social e econômico”, disse Marconi durante o programa aos entrevistadores Antonio Neto, presidente da CSB, e Gabriel Cassiano, estudante de economia da PUC SP. O evento foi transmitido pelo Facebook, na capital paulista, na noite desta quarta-feira (06)

Segundo o professor, o Estado é importante “como financiador de políticas para ajudar o setor privado a ir em frente, a fazer mais investimentos”. “Mas o Estado não pode fazer isso sozinho, então ele precisa de uma atuação conjunta com o setor privado”, completou.

Nelson Marconi explica que a Petrobrás é uma das empresas nacionais que não devem ser enviadas à iniciativa privada por conta de seu caráter estratégico para a soberania do Brasil. Ao comentar sobre a greve dos caminhoneiros e a estrutura da companhia, o economista alertou para a capacidade ociosa das refinarias da Petrobrás e reiterou que é preciso que estas refinarias sejam ocupadas e produzam internamente.

“Uma coisa é você pegar um insumo essencial e colocar com o preço do mercado internacional. Isso não existe e afeta a vida de todo mundo. A solução é outra, a Petrobrás precisa de outra estrutura que remunere o capital, mas também compense o investimento e a estrutura de custo”, explica. Para ele, “precisamos ter uma política de conteúdo nacional, que faça a gente importar menos insumos internacionais para fortalecer o conteúdo nacional”.

Reforma trabalhista

Nelson Marconi foi questionado sobre a Lei 13.467, em vigor desde novembro do ano passado, e é categórico ao afirmar que a reforma trabalhista “tira os sindicatos do processo de negociação”. “Se numa sociedade moderna, você tirar a capacidade dos trabalhadores de se organizarem, você tira o papel dos sindicatos”, disse.

De acordo com o economista, a participação dos sindicatos nas negociações é essencial. “Entendemos que precisamos modernizar as relações de trabalho, mas sempre defendendo o papel dos trabalhadores no processo de negociação”, defende. Marconi argumenta que é preciso rediscutir a reforma com a classe trabalhadora. “Entendemos que temos de modernizar, mas da forma como foi feita, sem diálogo, não tem validade nenhuma”, completou.

Em relação à reforma da Previdência, engavetada pelo governo, mas prometida para após as eleições, o professor da FGV deixa claro que ela é importante, mas é preciso “tratar de modo diferente grupos diferentes”. “Temos uma preocupação com os mais pobres, que não conseguem comprovar tempo de serviço. Precisamos fortalecer o regime de assistência, criar um programa de renda mínima para os mais pobres, independente do que eles contribuírem”, analisa Marconi. Na opinião dele, “a reforma é para ser debatida com a sociedade porque afeta muito a vida das famílias”.

Sobre a carga tributária brasileira, assunto em pauta no País há anos, Nelson Marconi disse que Brasil e Estônia são os únicos países que não tributam lucros e dividendos. “Os mais pobres pagam muito mais imposto. Do ponto de vista da tributação sobre a renda e consumo, queremos diminuir a tributação das empresas e transferir para a renda”, afirmou.

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