quinta-feira, 1 de março de 2018

“Nós temos uma estrutura de segurança pública que está caminhando para falência”, diz vice-presidente da CSB no Roda Viva

“Nós temos uma estrutura de segurança pública que está caminhando para falência”, diz vice-presidente da CSB no Roda Viva
via CSB

O vice-presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) e presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Distrito Federal (SINDIPOL/DF), Flavio Werneck, participou na noite desta segunda-feira (27) do programa de entrevistas Roda Viva, da TV Cultura.  Com o tema segurança pública, o programa deu destaque à intervenção federal no estado do Rio de Janeiro.

Para Werneck, a medida tomada pelo atual governo é apenas paliativa, pois a população necessitava, mas a medida ainda não será a solução dos problemas de violência no estado. O vice-presidente da Central também acredita que a estrutura da segurança pública brasileira está no caminho da falência.

“Acredito que a população do Rio de Janeiro está com uma insegurança muito elevada, por conta da falta de eficiência do sistema de perseguição brasileiro. A população quer respostas. A intervenção federal foi implantada como um analgésico, ela vai tirar a dor da população durante este período, mas ela não é o antibiótico para curar, pois nós temos uma estrutura de segurança pública que está caminhando para falência. Nos últimos 10 anos, subimos de 18 homicídios por 100 mil habitantes para 29,6 por 100 mil habitantes. Nas Américas, nós só perdemos para Honduras e para a Venezuela, que vive uma crise sem precedentes”, falou Werneck, que considerou a Copa do Mundo e o Pan Americano também como “analgésicos”.

“Talvez, o próximo analgésico aplicado tenha que ser mais forte que o anterior, pois não faz mais efeito. E aí o que será proposto, uma intervenção mais dura, com mais gente? Isso vem em uma crescente, sem resolver o problema crucial, que é a perseguição criminal”, garantiu.

Segundo Werneck, o ponto principal a ser combatido é o sistema financeiro das organizações criminosas que atuam no País.

“Hoje, o que nós temos que atacar é o dinheiro, que é o cerne da questão. Nós temos que buscar inteligência policial, temos que buscar maneiras de atingir o financiamento dessas organizações, e ninguém vai inventar a roda. Precisamos buscar meios, buscar boas práticas de fora do País e implementar no Brasil. Por que não temos policiais especializados em crime financeiro e tributário?”, questionou o presidente do SINDIPOL/DF, que ainda pontuou alguns pontos falhos na segurança pública.

“Prevenção: a nossa prevenção tende a zero, nós não investimos em prevenção, que é cerca de 10 vezes mais barato do que qualquer investigação pós-crime. Não existe uma cultura de polícia de proximidade como de Nova York ou Portugal, para fazer um banco de dados mais eficiente e que tenha um mapeamento da cidade; Instigação Criminal: nossa investigação é burocrática e arcaica, mais de 50% do efetivo policial está desviado para fazer papel, e não para atividade fim, que é investigar o crime. Além disso, temos um problema seríssimo de estrutura das polícias. A estrutura de segurança brasileira é senzala e casa-grande, onde a senzala trabalha e a casa grande se beneficia. Nós temos uma eficiência de menos de 8%, quando o Chile está com 90% de eficiência em crimes de homicídio. Temos que mudar a investigação e o nosso processo penal. O trabalho tem que ser a base da execução penal; quem não quer trabalhar, não deve ter benefício na cadeia, para que, assim, você consiga ressocializar”, falou.

Ainda para o vice-presidente da CSB, a segurança pública é ciência e multidisciplinar.  Além disso, segundo ele, o Ministério da Segurança Pública pode ser positivo, desde que aconteça com planejamento de segurança pública para o País, e não criado a toque de caixa.

Fronteiras

Com fronteiras secas e molhadas, o Brasil divide território com quatro dos maiores produtores de drogas do mundo. A “Board Patrol”, polícia que tua nas fronteiras dos Estados Unidos, tem um efetivo de 30 mil homens para proteger duas fronteiras, enquanto o Brasil dispõe de apenas 1500 policiais federais atuando nas fronteiras secas. “Precisamos de efetivo e tecnologia. Drones que possam auxiliar na localização de crimes cometidos nas fronteiras”, finalizou Werneck.

Participaram também do debate no Roda Viva Edison Brandão, desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo; Sérgio Adorno, coordenador do Núcleo de Estudos de Violência da USP; José Vicente da Silva Filho, coronel reformado da Polícia Militar e ex-secretário nacional de Segurança Pública; e Rodrigo Pimentel, ex-capitão do Bope-RJ e roteirista do filme Tropa de Elite.

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