quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Com proposta distante da inflação, negociação da Campanha Salarial é suspensa

Com proposta distante da inflação, negociação da Campanha Salarial é suspensa Sindpd
via Sindpd

A 4ª rodada da Campanha Salarial 2017 terminou sem acordo e com a paralisação das negociações. Sem atender as reivindicações do Sindicato, a comissão patronal apresentou uma nova proposta de reajuste nesta quarta-feira, 1. Com o índice de 4,4% mais abono salarial de 20% a ser pago em outubro, o patronato se nega a manter o poder de compra dos trabalhadores e repor as perdas inflacionárias, exigência primordial do Sindpd desde o início das negociações.

Segundo Antonio Neto, a insistência no corte de salários reflete a desvalorização dos profissionais de TI. "Oferecer um índice menor que a inflação, mesmo com o abono, significa reduzir o salário nominal dos trabalhadores de São Paulo. Quando fica explícito o desejo de achatar os salários, nós paramos a negociação. E eu afirmo com toda certeza - se formos caminhar nessa linha, nós não vamos assinar o acordo. Volto a dizer que inflação não se negocia, se repõe", corroborou o dirigente.

Diante da posição do patronato de manter a proposta de reajuste abaixo da inflação, que ficou em 6,58% pelo INPC e 6,29% pelo IPCA, o Sindpd aguarda o posicionamento do Seprosp para definir os rumos da Campanha Salarial. "Vamos abrir consultas à categoria, enquanto o patronal ficou de retomar as conversas internas. Não descartamos a retomada das negociações caso o patronato se disponha a aceitar os parâmetros estabelecidos na mesa de negociação, que incluem a reposição integral da inflação acrescida de aumento real", explicou Neto.

Avanços mínimos

Desde a primeira rodada, foram poucos os avanços. Além de recusar diversas demandas importantes levadas à mesa pelo Sindicato, a comissão das empresas ainda sugeriu o corte de direitos e retrocedeu em cláusulas acertadas, configurando uma das propostas mais prejudicais já apresentadas aos trabalhadores de TI de São Paulo. Na última rodada, impropriedades já rejeitadas pelo Sindpd foram novamente trazidas pelo Seprosp. A exemplo, a comissão insistiu pela desobrigação de continuidade da PLR para empresas que já pagam o benefício e o desconto do vale-refeição em caso de faltas ou ausências. Sem ceder à pressão e ao posicionamento retrógrado dos patrões, o Sindpd segue firme para manter os direitos já consolidados e alcançar avanços reais. "Propor a retirada de direitos já consolidados está fora de discussão. A PLR é uma das maiores conquistas e motivo de orgulho para a categoria, não vamos mexer a não ser que seja para melhorar. Já o VR, a cláusula é muito clara - são vinte e dois tickets por mês. Para nós não tem a mínima discussão", defendeu Antonio Neto.

A postura intransigente adotada pelo Seprosp evidencia a indisposição em debater e apresentar propostas voltadas aos trabalhadores. Em quatro rodadas, o índice de reajuste apresentado obteve um aumento de menos de 1 ponto percentual - de 3,5% na primeira para 4,4% na última. Sem avanço, o patronato ainda sugere corte de direitos e retrocede em cláusulas já acertadas. "É uma pena que vocês mantenham a recusa das cláusulas sociais. Várias delas foram fortemente defendidas pela categoria durante as assembleias realizadas no estado", destacou Neto.

Entenda o processo de negociação

Antes de dar início à negociação com o patronato, um longo caminho é percorrido. A construção da pauta de reivindicações de 2017 começou em outubro passado, com o Seminário de Regulamentação de TI. Em prol dos direitos e do bem-estar da categoria, foram promovidos debates com representantes das mais diversas entidades da área de tecnologia da informação, trabalhadores, acadêmicos e especialistas. As discussões ajudaram a ampliar a compreensão sobre a importância da regulamentação e trouxeram à tona preocupantes indicadores de saúde mental que atingem os trabalhadores da área. Nos dois dias do Seminário, milhares de profissionais de todo o País acompanharam o debate, transmitido ao vivo pelo site Convergência Digital.

As palestras serviram de embasamento para que a Diretoria pudesse organizar a construção da pauta de reivindicações. Visando a união e o fortalecimento da categoria, o Sindpd e os trabalhadores de TI atuaram em conjunto durante todo o processo. A participação crescente foi comprovada pela presença expressiva dos trabalhadores nas Assembleias de Pauta, onde mais de três mil pessoas estiveram presentes para confirmar as reivindicações da Campanha Salarial 2017. Reeleita em junho e em vigor desde o dia 1 de dezembro de 2016, a atual gestão propõe melhorias e batalha por novos desafios. Fortalecida pela união da categoria, a administração quer manter as conquistas que colocam a Convenção Coletiva do Sindpd entre as melhores do País.

2 comentários:

  1. É muito ridículo esse patronal, querer retirar direitos já adquiridos??? "reajuste salarial" abaixo da inflação??? ABONO???
    Faço de minhas palavras a representação de todos da minha categoria, não aceitamos de forma nenhuma esses termos, não quero um miserável abono, quero no minimo o reconhecimento de meu trabalho, reajustando a perca do mesmo sobre a inflação de 2016.

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