domingo, 24 de janeiro de 2016

Sovinice patronal se mantém e Sindpd discutirá possibilidade de greve

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via Sindpd

Na tarde desta quarta-feira, 20, aconteceu a terceira rodada de negociação da Campanha Salarial 2016, sem grandes surpresas. Na toada das propostas anteriores, o sindicato dos empresários manteve a sovinice e apresentou oferta de reajuste de 7%, com a mesma condição de parcelamento: a primeira para janeiro e a segunda para julho. De acordo com o presidente do Sindpd, Antonio Neto, não é possível considerar a proposta, uma vez que ela sequer se aproxima das condições minimamente aceitáveis para um processo negocial. "Não há conversa sem a reposição da inflação, isto é inegociável. A diretoria do Sindpd se reunirá amanhã [21/01] para debater os rumos da negociação salarial. As manifestações da categoria que chegam ao Sindicato são unânimes no sentido de decretarmos a greve. Caso não ocorram avanços, este será o caminho inevitável", afirmou.

Para Neto, embora tenha havido pequena elevação do percentual de reajuste, o índice está abaixo da taxa de inflação, e não representaria ganho algum à categoria, visto que sequer repõe as perdas salariais. "Como já disse, com inflação não se pode brincar. É um índice que mexe com os ganhos do trabalhador, com seu poder de compra, e, portanto, com toda a economia. Não estou entendendo as dificuldades das empresas de TI. Embora tenha apresentado crescimento um pouco menor, o segmento foi um dos poucos setores econômicos que continuam avançando. O que estamos pedindo é correção monetária, para assegurar a dignidade do salário da categoria", ressaltou. Mostrando disposição na busca pelo acordo, o presidente do Sindpd expôs nova oferta de reajuste (de 11,28%).

"Ninguém mais do que o sindicato laboral quer acordo. Mas com as propostas apresentadas pelos empresários até aqui não dá sequer para pensar em qualquer tipo de acordo. Já vencemos uma etapa que foi o escalonamento [reajuste por faixa salarial] e agora precisamos superar esta ideia de faseamento [parcelamento do reajuste]. Os patrões devem considerar que a categoria está conosco nesta empreitada, e que as propostas do Seprosp repercutiram de modo extremamente negativo na base, os trabalhadores ficaram indignados com o que foi apresentado. Não há condição de diálogo sem reposição", assegurou.

Ao final da mesa, Antonio Neto destacou que está marcada para amanhã, 21, uma reunião com toda a diretoria do Sindpd para discutir possíveis caminhos a um desfecho favorável da Campanha Salarial. Segundo o presidente, na ocasião, os dirigentes devem expor as opiniões e relatos externados pelos trabalhadores de todo o Estado de São Paulo. " Eu não posso aceitar aquilo que, particularmente, eu não aceito e que a comissão não aceita. Estamos aqui representando a vontade da categoria. Eu recebi mais de 180 e-mails só de críticas sobre a última proposta, isto sem considerar os telefonemas. Ela não supre os anseios e, portanto, precisa ser mais discutida", finalizou.

A previsão é que a próxima rodada de negociação (4ª) seja realizada em 27 de janeiro, mas ainda não há horário definitivo. A expectativa da comissão do Sindpd é que os empresários reconsiderem o posicionamento adotado nas últimas rodadas e ofereça condições plausíveis para iniciar o processo de negociação.

Veja o resumo das propostas apresentadas na 3ª rodada de negociação:

Proposta do Seprosp

- Reajuste salarial de 7%, parcelado em duas vezes (janeiro e julho);
- Salários normativos sem proposta de reajuste;
- Vale-refeição (VR) de R$16,50 para profissionais alocados na capital, e de R$ 15,70, para os das demais regiões;
- Retirada da obrigatoriedade de apresentação do programa de Participação nos Lucros e/ou Resultados;
- Retirada da multa em caso de descumprimento do prazo para realização das homologações.

Reivindicação do Sindpd 

- Reajuste salarial e nos pisos de 11,28%;
- Vale-refeição (VR) de R$ 20 e R$ 15 à categoria, considerando jornadas de oito e seis horas diárias, respectivamente;
- Multa em caso de descumprimento do prazo (120 dias) para apresentação da proposta de PLR;
- Assistência Médica sem ônus para os profissionais;
- Licença maternidade de 180 dias;
- Auxílio-alimentação no valor fixo de R$90 reais:
- Reembolso de 50% do valor da mensalidade ao empregado que estiver fazendo curso que vá ao encontro dos interesses da empresa;
- Dia livre em 19 de outubro (dia do Profissional de TI);
- Vale-Cultura;
- E adicional de 3% do salário mensal do empregado, para cada cinco anos trabalhados, a título de quinquênio.

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