domingo, 17 de janeiro de 2016

Seprosp diminui proposta de reajuste salarial para 4% parcelado em duas vezes

Segunda rodada negociação Campanha Salarial 2016 Sindpd Seprosp
via Sindpd

Após apresentar proposta considerada "bizarra" na primeira rodada da Campanha Salarial 2016, a comissão de negociação do Seprosp conseguiu se superar e piorar ainda mais a sua indicação de reajuste salarial. Na mesa desta tarde, 14, o sindicato patronal ofereceu índice de 4% condicionado a parcelamento em duas vezes, 2% a ser pago ainda em janeiro, e 2% para o mês de julho. As demais alterações solicitadas pelos empresários na última reunião também foram mantidas.

Embora admita que o setor de Tecnologia da Informação e Telecomunicações é um dos principais motores da econômica, o presidente do Seprosp, Luigi Nese, afirmou que é preciso considerar a situação do País. "Se estamos num momento de crise economia, em termos de crescimento e indefinição, tudo isso eu acho que nós temos que analisar com calma", disse, pouco depois de afirmar que, considerando o agrupamento com o segmento de Telecomunicações (TIC), "o setor é o segundo mais importante para a economia nacional. (...) e que emprega mão de obra qualificada, com média salarial alta, acima da economia como um todo".

Para o presidente do Sindpd, Antonio Neto, a nova proposta indicada pelo Seprosp é "indecorosa" e não reflete as previsões de crescimento do setor, tampouco os lucros obtidos pelo empresariado. De acordo com a consultoria Gartner, Tecnologia da Informação irá movimentar mais de US$ 96,5 bilhões no Brasil, número que representaria um aumento de 0,6% em relação aos US$ 95,8 bilhões previsto pela consultoria em 2015. "Não podemos admitir este tipo de coisa, não favorece em nada. Ou seja, achatar o salário dos trabalhadores justamente de um dos setores que mais tem condições, especialmente as transnacionais e internacionais, é inaceitável. O Tribunal tem garantido a reposição inflacionária. Não vou nem analisar uma proposta que afronta a dignidade dos trabalhadores", afirmou categoricamente após o anúncio do novo índice pelo patronal.

O dirigente também criticou a postura das grandes empresas que intencionam barrar o avanço do processo negocial. "As grandes empresas nunca vêm aqui, quando vem é para atrapalhar. Parece que, de novo, o grupo de empresas, as que mais lucram, querem confundir o processo", reprovou. Neto ainda destacou casos de companhias que utilizam de diversos estratagemas para corromper as garantias da classe trabalhadora. "Não sei se vocês sabem, mas a IBM tem um acordo particular, não segue a Convenção do Sindpd, faz acordo com outro sindicato, que faz a Convenção Coletiva para a categoria e aceita rebaixar o índice dos funcionários da IBM. Esse é o mesmo mecanismo que estão querendo trazer para a mesa de negociação, ou seja, submeter todas as empresas aos interesses das internacionais que querem escravizar os profissionais de TI", exemplificou.

Segundo o presidente, o caso da IBM já está aos cuidados do Ministério Público e deve garantir, aos trabalhadores prejudicados, ao menos cinco anos de pagamento retroativo de todas as cláusulas pactuadas. "Além de fazer o que faz com os trabalhadores, ainda não paga os direitos que os profissionais de TI têm de receber", disse Neto. Na primeira rodada de negociação, o patronal ofereceu reajuste salarial escalonado, de 8% para trabalhadores que recebem até R$ 2 mil, de 5,5% mais R$ 50 reais para aqueles cujo salário está acima desta faixa, e de 4% para profissionais com remuneração superior a R$ 5 mil, com acréscimo de R$ 125 na parcela, com o mesmo modelo de parcelamento adotado na reunião de hoje.

Para Antonio Neto, não há como seguir a negociação sem uma proposta plausível.  "Saio indignado com esta proposta indecorosa. Vou preparar nossas baterias, conversar com os trabalhadores sobre o que foi apresentado. A inflação é de 10,24% pelo IPCA [Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo] e de 11,28% pelo INPC [Índice Nacional de Preços ao Consumidor], não dá para brincar com estes índices. Está interrompida a negociação", sentenciou Neto.

A posição da Comissão de Negociação do Sindpd era, de pronto, consultar a categoria sobre os possíveis procedimentos de mobilização já nesta semana. Contudo, por solicitação da comissão patronal, o presidente do Sindpd concordou em aguardar nova assembleia dos empresários, bem como a apresentação de uma nova proposta minimamente razoável para que se inicie um processo coerente de negociação. "Se o patronal quiser renegociar, ele vai se reunir e vai nos chamar. Nossa categoria está de prontidão, cada dia mais indignada com a postura dos patrões. A nossa impressão é de que estão implorando por uma greve, a exemplo de anos anteriores", apontou. Há possibilidade de uma nova mesa no dia 20 de janeiro, mas a reunião encerrou-se sem definição exata para a realização da terceira rodada.

Confira abaixo o resumo das propostas apresentadas na 2ª rodada de negociação:

Proposta do Seprosp

- Reajuste salarial de 4%, parcelado em duas vezes (janeiro e julho);
- Salários normativos sem proposta de reajuste;
- Vale-refeição (VR) de R$16,50 para profissionais alocados na capital, e de R$ 15,70, para os das demais regiões;
- Retirada da obrigatoriedade de apresentação do programa de Participação nos Lucros e/ou Resultados;
- Retirada da multa em caso de descumprimento do prazo para realização das homologações.

Reivindicação do Sindpd 

- Reajuste salarial e nos pisos de 13,61%;
- Vale-refeição (VR) de R$20 e R$ 15 à categoria, considerando jornadas de oito e seis horas diárias, respectivamente;
- Multa em caso de descumprimento do prazo (120 dias) para apresentação da proposta de PLR;
- Assistência Médica sem ônus para os profissionais;
- Licença maternidade de 180 dias;
- Auxílio-alimentação no valor fixo de R$90 reais:
- Reembolso de 50% do valor da mensalidade ao empregado que estiver fazendo curso que vá ao encontro dos interesses da empresa;
- Dia livre em 19 de outubro (dia do Profissional de TI);
- Vale-Cultura;
- E adicional de 3% do salário mensal do empregado, para cada cinco anos trabalhados, a título de quinquênio.

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