terça-feira, 24 de novembro de 2015

Marcha Nacional das Mulheres Negras percorre Brasília em defesa da igualdade de direitos e contra a discriminação

Marcha Nacional das Mulheres Negras
via CSB

Nesta quarta-feira, 18, movimentos sociais reuniram cerca de 15 mil pessoas na Marcha das Mulheres Negras contra o racismo, a violência e pelo bem viver. É a primeira vez que a marcha acontece nacionalmente; a CSB esteve presente no ato em defesa da igualdade racial. O objetivo do evento é reunir mulheres negras e representantes dos movimentos sociais na luta pela igualdade de direitos, por um País mais justo e democrático e pela defesa de um novo modelo de desenvolvimento baseado na valorização dos saberes e da cultura afro-brasileira. A marcha acontece no âmbito da Década Internacional dos Afrodescendentes 2015-2024 e do mês da Consciência Negra.

A marcha foi Idealizada durante o “Encontro Paralelo da Sociedade Civil para o Afro XXI: Encontro Ibero Americano do Ano dos Afrodescendentes”, em Salvador, no ano de 2011. Atualmente, as mulheres pardas e negras representam 25% da população brasileira de acordo com os dados levantados pelas organizadoras da Marcha durante a preparação do evento. No encontro, a CSB destacou que a qualificação profissional é um dos instrumentos para a inserção do negro no mercado de trabalho. “Nós viemos participar da Marcha Nacional das Mulheres Negras para levantar debate sobre qualificação e requalificação da mulher e do homem negro por meio de recursos do CODEFAT (Comissão do Fundo de Amparo ao Trabalhador. O governo precisa investir na criação de cursos que visem a qualificação da população negra, que é constantemente marginalizada pela sociedade”, explicou José Avelino Pereira (Chinelo), vice-presidente da Central.

Segundo o dirigente, o negro está sempre no pior trabalho que há. “Os negros estão sempre em postos de trabalho que exigem menos qualificação. Nós, do movimento sindical, temos que debater a desigualdade de oportunidades profissionais que há entre negros e brancos e buscar ações afirmativas dentro do mercado de trabalho. Nós, sindicalistas, podemos colocar dentro das convenções coletivas de trabalho cláusulas que garantam a inclusão de mulheres e homens negros na empresa, criar cursos de capacitação para a população negra de baixa renda dentro dos próprios sindicatos”, disse. “Para a CSB estar neste evento, que é a primeira mobilização nacional em prol das mulheres negras, é muito emocionante. Estivemos na Marcha com 300 pessoas representantes da CSB lutando por um Brasil mais democrático e igualitário. Também quero destacar que todo dia é dia de negro, não podemos lembrar das lutas dos negros apenas durante o mês de novembro”, afirmou Chinelo.

Encontro com Dilma

Durante o evento, também houve uma audiência com a presidenta Dilma Rousseff, que recebeu um grupo de representantes de diversas organizações e movimentos sociais. Na ocasião, as mulheres entregaram um manifesto que cobra do Governo, entre outras pautas, a redução da mortalidade feminina e medidas que incluam a mulher negra no mercado de trabalho.

Patricia Batista, tesoureira do Sindicato dos Empregados Domésticos de Araçatuba e Região, filiado à CSB, representou a Central no encontro, que reuniu 22 mulheres. “A Marcha foi um grande marco para as mulheres negras e representa o fortalecimento das mulheres dentro da sociedade. Esse evento é um ganho para todas as brasileiras. As mulheres negras necessitam de mais espaço dentro do mercado de trabalho e na política, e a Marcha foi o primeiro passo que demos para o empoderamento das mulheres negras no Brasil”, destacou.

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