domingo, 25 de outubro de 2015

Luis Nassif: 'Se o governo não mudar a economia, o mercado não segura seis meses'

via Sindpd

Confira as soluções para a crise brasileira na apresentação do jornalista de economia Luis Nassif.

"Eu tenho uma grande novidade para trazer a vocês hoje: o Brasil não vai acabar". Jornalista, comentarista e colunista de economia, Luis Nassif afirmou que o País está pronto para enfrentar a atual conjuntura política e retomar o caminho do desenvolvimento. Convicto de que o setor de Tecnologia da Informação faz parte da mola que impulsionará a economia brasileira, Nassif fez uma analogia com a área para reforçar sua crença no progresso nacional. "Se fôssemos um sistema, já temos um controle de processo e diagnósticos. Estamos em fase de transição, mas se tem um País pronto, é o Brasil", reiterou o jornalista.

Para o comentarista da TV Cultura, a situação política é similar com a aquela com a qual a sociedade brasileira viveu na década de 1970, com o chamado milagre econômico, e a crise, que levou a campanhas como a Diretas Já!, mas com "todas as peças do tabuleiro". De acordo com Nassif, "em termos relativos, o crescimento do País em muitos setores é um crescimento significativo", inclusive, alavancado pela nova classe média. Segundo dados expostos pelo palestrante durante o Seminário de Pauta, só no comércio eletrônico houve um crescimento de 43%, um salto de 40,5% em dez anos. Em 2011, o número de alfabetizados no Brasil alcançou a marca de 90,17%, o que explica a mudança de demandas da emergente classe C e o "dinamismo monumental" na sociedade brasileira.

Para Luis Nassif, existem pontos que demonstram que o País não ficou parado nos últimos anos, e que "essa crise pega o País em outra situação, com outros predicados e potenciais". Ainda de acordo com o jornalista, atualmente há 14,7 milhões de jovens promissores no Brasil, 59% com ensino médio completo; 30,3 milhões de trabalhadores e 11,6 milhões de empreendedores. "[Portanto], o que acontece no mercado, hoje, não tem explicação. Ano passado já tinha um desaquecimento da economia, e o grande economista é aquele que percebe os sinais de mudanças de rumo antes de vir os indicadores", expôs o colunista econômico. Segundo Nassif, uma das principais causas da crise atual é o aumento da taxa de juros básica que derrubou uma demanda já enfraquecida.

"O que acontece quando você joga a taxa de juros a 14,25%? Provoca uma recessão que derruba a receita fiscal só para manter o grau de investimento nas agências de risco. A dívida pública, com isso, sobe de 20 a 25% ao ano. Dentro desse modelo, o PIB [Produto Interno Bruto] cai e mesmo se tudo der certo, não vai dar certo", esclareceu Nassif. De acordo com os últimos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o PIB caiu 1,9% no segundo trimestre de 2015 e o desemprego chegou a 7,6% em setembro deste ano - a indústria amargou o oitavo resultado negativo consecutivo em agosto, quando caiu 0,8%. Reflexos do endividamento das empresas, o jornalista garante que os índices são resultados de ajuste fiscal e monetário realizado ao mesmo tempo.

"Não existe essa história que em recessão você põe o ajuste fiscal e monetário. Você põe o fiscal, aí você dá tempo para as empresas e pessoas físicas renegociarem suas dívidas com taxas de juros razoáveis para voltar ao estágio de crescimento. Mas, o que estão fazendo é uma pinça: pegando os dois lados", explica Nassif, mas assegura: "Se o governo mudar a economia, o mercado muda agora; se ele não mudar, o mercado não segura seis meses". De acordo com o colunista da Carta Capital, uma das soluções para estabilizar a conjuntura político-econômica brasileira encontra-se na categoria de TI. Para conquistar bem-estar social, serviços públicos e empregos de qualidade, desburocratização e garantir a proteção da democracia e alavancar o País ao patamar da competitividade mundial, a participação dos profissionais do setor é fundamental.

"A aceleração do desenvolvimento tecnológico; as TICs continuando a modificar a natureza do trabalho, a estrutura da produção, educação e relação entre pessoas; o crescimento dos investimentos em automação e robótica e o crescimento dos investimentos e aplicação no campo da nanotecnologia e biotecnologia são as megatendências da ciência", concluiu Luis Nassif.

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