sábado, 24 de outubro de 2015

Fernando Ferrari: 'Política de Levy é samba de uma nota só'

via Sindpd

Confira a análise da conjuntura econômica brasileira feita pelo economista Fernando Ferrari.

O doutor em economia Fernando Ferrari Filho apresentou no Seminário de Pauta do Sindpd a palestra "A Conjuntura Econômica para 2016" na qual apresenta o cenário político e econômico do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Para Ferrari, a política adotada pelo atual ministro da Fazenda, Joaquim Levy, pode ser comparada a um "samba de uma nota só". "A previsão de crescimento médio para o segundo governo da petista é ruim, pois as expectativas para 2015 e 2016 são de que o Produto Interno Bruto (PIB) fique negativo em 3,0% e entre -1,0% e -1,5%, respectivamente. Para 2016, a inflação variará entre 6,0% e 6,5%, a taxa Selic deverá ficar em 14,25%, e o dólar deve chegar a R$ 4,20.

Atualmente, a política brasileira é sustentada pelo tripé metas ficais, metas de inflação e câmbio flexível. Se continuarmos nesse modelo, não vamos chegar muito longe", avaliou. Segundo o palestrante, esse cenário econômico de crise vivido pelo Brasil caracteriza-se pelo aumento da inflação, estagnação da atividade produtiva e desemprego em ascensão, que corroboram para os problemas de desindustrialização e perda de competitividade da economia devido ao alto custo de produção. "Entre os anos de 2011 e 2014, o PIB nacional cresceu, em média, 2,1% ao ano e caracterizou-se pela tendência stop and go. A inflação média foi de 6,2% ao ano. Em 2015, o cenário inflacionário e de estagnação agravou-se", expôs.

De acordo com o economista, "outro ponto negativo foi a volatilidade do câmbio. A volatilidade da taxa de câmbio fez com que ora se chegasse  a R$ 1,95, ora a R$ 2,65 (como em dezembro do ano passado) e agora está próximo a R$ 4. Isso cria um ambiente desfavorável para a criação de investimentos. Ademais, a política monetária tem de controlar a inflação de demanda e se preocupar com o crescimento do desemprego. O Banco Central tem que intervir no câmbio, bem como a política industrial deve ser ampla, e não setorial", explica Ferrari.

Economicamente, o ano de 2015 está perdido e o de 2016 semiperdido. Em 2018, se ventos favoráveis soprarem, talvez haja crescimento, afirma o economista. "Os maiores problemas do Brasil estão, entre outros, na desindustrialização, na volatilidade cambial e na falta de uma política industrial e tecnológica. Outra questão é a reprimarização da pauta de exportações, ou seja, as exportações estão cada vez mais concentradas em produtos básicos, agropecuários e commodities industriais, em geral, mercadorias de baixa tecnologia. Além disso, surgiram novos países na disputa pelo mercado de manufaturados, como Índia, Vietnã e países africanos, o que gerou queda das exportações brasileiras", frisou. O aumento da tributação e a ineficiência da máquina pública também foram apontados como agravantes da crise por Fernando Ferrari Filho. "O Brasil é um dos países com os custos tributários mais altos do mundo. A solução para crise é a longo prazo e exigirá reformas estrutural-institucionais. Com essas reformas e com um governo estadista, que tenha um projeto nacional,o Brasil poderá voltar a crescer", finalizou.

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