terça-feira, 6 de outubro de 2015

CSB e sindicatos dos portuários debatem infraestrutura do setor com o ministro Edinho Araújo

Secretaria de Portos da Presidência da República
via CSB

Em audiência com o ministro-chefe da Secretaria de Portos da Presidência da República (SEP/PR), Edinho Araújo, a diretoria da CSB, junto a dirigentes sindicais ligados a entidades de trabalhadores portuários, debateu a situação e o desenvolvimento da infraestrutura e superestrutura dos portos públicos brasileiros. A reunião aconteceu nesta quarta-feira (30/09), no gabinete do ministro, em Brasília. Responsável por formular políticas para o fomento do setor e instalações portuárias marítimas, fluviais e lacustres – que recebem embarcações de linhas dentro de lagos –, a SEP/PR ouviu as reivindicações de vários representantes estaduais da área. Ceará e Alagoas foram algumas das regiões que entraram na pauta do encontro.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nos Serviços de Capatazia Portuária nos Terminais Públicos, Privados e Retroportos do Estado do Ceará, José Ribamar dos Santos Filho, a conclusão da obra de dragagem do Porto do Mucuripe (ou Porto de Fortaleza) ganhou destaque durante a reunião. Com uma profundidade de quase 7 m, o porto necessita de pelo menos 12 m para que seja possível o atraque de navios de grande porte. “Neste porto, foi construído um terminal de passageiros que ainda não está em funcionamento devido à dragagem. E é justamente o aprofundamento que permitirá que mais navios atraquem em Fortaleza e mais cargas sejam movimentadas no cais”, ressalta Ribamar. Segundo o dirigente, “a dragagem do Porto do Mucuripe beneficiará não só o estado do Ceará, mas todo o Brasil”.

Paulo Renato da Silva Reges, presidente do Sindicato dos Estivadores do Ceará, afirma que o porto precisa de 30,7% da verba estipulada pelo PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento) para a finalização das reformas. “Falta a liberação de R$ 40 milhões dos R$ 130 [milhões] destinados ao projeto para concluirmos a estação de passageiros – que vai servir tanto para o turismo quanto aos navios cargueiros no caso de carga seca, como são os containers”, informa o dirigente. Em atividade há mais de meio século, o Porto do Mucuripe emprega cerca de 1.500 trabalhadores e possui uma localização privilegiada, que o mantém próximo aos mercados da América do Norte e Europa segundo a Companhia Docas do Ceará (CDC). Ainda conforme divulgado pela administradora do porto, o local permite o atendimento a empresas de navegação com linhas regulares destinadas a portos dos Estados Unidos, Canadá, América Central, Caribe e África.

Para o presidente do Sindicato dos portuários do Ceará, José Ribamar, os dados só demonstram o quanto o porto é importante para a balança comercial brasileira. “Com a possibilidade de circulação de navios maiores, vai aumentar ainda mais as exportações e importações e consequentemente melhorar a economia do País, pois, através dos portos, entra e sai muitas riquezas e se arrecada muitos impostos para o governo”, explica o dirigente. Segundo resultados gerais da análise do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 352 milhões na terceira semana de setembro de 2015 – US$ 3,670 bilhões em mercadoria foram exportados contra US$ 3,318 bilhões de importações.

Porto de Maceió

Durante a audiência com o ministro Edinho Araújo, o presidente do Sindicato dos estivadores de Alagoas (Sindestiva), João Epifânio dos Santos, também expôs as condições dos trabalhadores do Porto de Maceió. De acordo com o dirigente, o porto sofreu uma perda de movimentação com as transferências de cargas a portos vizinhos. “O objetivo da reunião foi mostrar ao nosso ministro a importância do nosso porto para a economia do estado e do Brasil, pois uma das nossas preocupações é a questão social. À medida que falta serviço, os trabalhadores amargam o índice de desemprego. A situação social da categoria reflete diretamente na conjuntura econômica do País”, destacou Santos.

No encontro, o ministro-chefe da Secretaria de Portos comprometeu-se com os dirigentes e a Central em analisar cada caso e levar a discussão da pauta adiante, independente do resultado da reforma ministerial a ser realizada pelo governo. Para João Epifânio, ter a oportunidade de manifestar as reivindicações da categoria às autoridades federais já foi mais um passo para o setor. “Debater as questões do trabalho portuário com o governo federal nos deixa muito esperançosos para mudar esse quadro do Porto de Maceió. E o mais importante foi contar com a presença da CSB, que não mede esforços para ajudar seus afiliados. A categoria nunca teve um apoio como tem agora com a Central”, declarou o presidente do Sindestiva.

Ministro da Pesca e Congresso da CSB

No mesmo dia, a Central também teve um encontro com o ministro da Pesca, Helder Barbalho, para conversar sobre o II Congresso da CSB. Programado para o período entre os dias 24 e 26 de fevereiro de 2016, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, o evento tem como temas centrais independência, desenvolvimento e justiça social. Construir uma sociedade que priorize os interesses coletivos, defender os trabalhadores brasileiros, promover sustentabilidade e igualdade de gênero e contribuir com o desenvolvimento e com o progresso dos sindicatos e afiliados são os principais objetivos e motivações do encontro, que reunirá mais de 2 mil dirigentes sindicais de todo o Brasil.

Para o presidente da Central, Antonio Neto, que apresentou o projeto do evento ao ministro, “o Congresso é sublime para qualquer entidade”. “Além de ser um momento de intensa discussão política, debate de ideias, é uma grande oportunidade de a entidade se aproximar cada vez mais das bases e abrir relações com os entes políticos”, destacou. Interessados em participar do II Congresso da CSB podem enviar suas sugestões e propostas para a formulação da tese da Central ao e-mail teses@csbbrasil.org.br. Para saber mais sobre o evento, acesse o site oficial.

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