sábado, 31 de outubro de 2015

'Estou há muito tempo na área de TI e, até meu mestrado, eu nunca tive uma colega mulher', afirma participante do workshop Technovation

Technovation workshop
via Sindpd

Para honrar o compromisso, assumido durante evento em celebração do Dia Internacional da Mulher, de realizar o empoderamento feminino, o Sindpd, em parceria com o Technovation Brasil, um programa de empreendedorismo e tecnologia para mulheres, realizou um workshop gratuito para ensinar meninas a programarem aplicativos para Android. A iniciativa, que não exigiu qualquer experiência anterior nesta área, teve por meta estimular maior participação feminina no mercado de TI, hoje integrado majoritariamente por homens. Com duração de quatro horas, o programa ensinou as jovens a idealizar, estruturar e desenvolver uma ferramenta que pudesse contribuir para a resolução de algum problema social por meio da tecnologia.

Durante o workshop, 10 grupos, compostos por no mínimo quatro meninas e uma mentora, desenvolveram projetos de aplicativos para solucionar problemas como a inserção de deficientes no mercado de trabalho, o desenvolvimento educacional, a reciclagem de matérias, o bullying, o controle de gastos, o uso consciente de água durante o banho e a organização da rotina profissional e escolar. Numa premiação simbólica, o terceiro lugar ficou para o aplicativo "Antibullying", que propunha o controle do ato nas escolas. O segundo time ganhador foi o "Recicle já", com uma proposta de conscientização sobre o reuso dos descartes. Quem levou o primeiro lugar foi o grupo que desenvolveu a ideia de um aplicativo de vagas de trabalho exclusivas para profissionais com algum tipo de deficiência.

Uma mudança necessária

Para a associada do Sindpd Adriana Leal Amaral Dotta, funcionária da Thomson Reuters, é preciso estimular o interesse que as meninas já têm, para que a vontade de ingressar no mercado não se perca com o passar dos anos, ou mesmo nas primeiras dificuldades. "Acho bastante interessante a proposta que foi feita. (...) É importante que desde esta idade elas já tenham consciência de que podem participar, que o que ela faz pode ser revertido para o benefício da sociedade", afirmou a participante. A jovem Andressa Gonçalves, integrante de um dos grupos, destacou a discriminação que as mulheres sofrem quando tentam ingressar em áreas culturalmente mais propensas a receber homens. "Há um certo preconceito com as mulheres que tentam programar, que tentar entrar nesta parte de desenvolvimento, como se a gente não tivesse a mesma capacidade intelectual para desenvolver a mesma tarefa. Para ela, a iniciativa deveria ser abraçada por toda a sociedade. "Temos que nos unir para trazer cada vez mais mulheres para a área de TI, porque só temos a ganhar", disse.

Já Patrícia Fisher, hoje professora em cursos de tecnologia e inscrita como mentora da oficina, relatou a emoção de ver mais mulheres ingressando na área. "Estou há muito tempo na área de TI e, até o meu mestrado, eu nunca tive uma colega mulher. Hoje em dia está mais fácil, eu até tenho alunas mulheres. Mas as vezes eu começo uma turma com 12 meninas e não forma uma. Chega na metade do curso, às vezes, eu tenho uma ou duas, mas elas acabam desistindo, um pouco pelo bullying que elas sofrem e um pouco por não terem companheiras. Tem que empoderar mais mulheres. Elas têm que aprender agora, de pequenas", sentenciou.

Incentivo

De acordo com Nathalia Goes, coordenadora do Technovation Brasil, "o importante é esquecer todas as barreiras que existem na cabeça, que isto [tecnologia] é coisa de meninos, que é difícil, ou algo para quando estiverem mais velhas. A opinião é partilhada por Camila Achutti, graduada em Ciência da Computação pela USP e embaixadora do programa no Brasil. Para ela, tornar o mercado de tecnologia mais híbrido e democrático só irá beneficiar a todos. "A gente só vai ter uma tecnologia que resolva os problemas do mundo quando todo o mundo estiver por ela representado", apontou.

Na análise de Christianne Poppi, diretora do projeto em âmbito nacional, é cada vez mais imperiosa a necessidade de mudar este cenário excludente, em que "as mulheres, que são maiores consumidoras de tecnologia no mundo, ainda são as que menos participam de sua criação". Segundo afirma, "todo mundo sabe e convive com essa questão, mas ainda são poucos os que realmente estão agindo para mudar o cenário. Ter uma entidade como o Sindpd levantando a bandeira do empoderamento feminino em tecnologia é importantíssimo, porque além de fortalecer este movimento, também amplia a discussão nas empresas e entre os profissionais da área", destacou.

Para a diretora do Sindpd Sandra Bueno, uma das articuladoras da parceria, junto com Sue Ellen Naka, Adriana Hilário, Priscila Sena e Maria de Lourdes Claro, a oficina tem por mérito fortalecer as potencialidades e o interesse que as jovens já possuem em tecnologia. "Nós estamos muito contentes em apoiar esta iniciativa, pois é um meio de desenvolver o que elas já têm dentro de si. Só precisamos contribuir para que desenvolvam esta capacidade". O presidente do Sindpd, Antonio Neto, afirmou que continuará apoiando o projeto Technovation e que ainda pretender estender a abrangência da iniciativa. "Quando conhecemos o projeto ficamos apaixonados pela ideia de empoderamento das mulheres. Vamos continuar apoiando este programa. Nossa intenção é realizar mais quatro workshops nas regionais do Sindicato no interior", finalizou.

Transformando o mundo

A oficina de programação faz parte de um programa amplo de empoderamento desenvolvido pela ONG internacional Iridescent, que também organiza o Technovation Challenge, uma das maiores competições de tecnologia voltada, especificamente, para o público feminino do ensino fundamental II e médio. As jovens participam de concurso de 12 semanas em que identificam e apresentam soluções para um incômodo real da sociedade. Ao final do processo, as finalistas expõem suas ideias no Vale do Silício (Califórnia - USA) e concorrem a um prêmio de US$ 10 mil. As inscrições para desafio já estão abertas. Veja outras informações em www.technovationchallenge.org/brasil.

Walmart quer usar drones para acelerar entrega de produtos a clientes

Walmart
via IDGNow

O Walmart entrou com pedido junto a Federal Aviation Administration (FAA), órgão que regula o setor de aviação nos Estados Unidos, para testar entregas feitas com drones. O movimento visa competir com outros concorrentes do varejo online, caso da Amazon e Google. Na aplicação submetida nesta segunda-feira (27), o Walmart pede permissão para iniciar os testes externos de drones e revelou que tem conduzido testes internos há meses. A companhia informou que tem interesse em pesquisar o uso de drones para atender a cadeia de suprimentos assim como uma forma de entregar produtos para consumidores.

A companhia planeja usar dois modelos de drone, ambos da China, o DJI Phantom 3 e DJI S900. Tanto Amazon e Google já tem testado drones como uma forma de acelerar a entrega de produtos para consumidores. O serviço de entrega da Amazon, o Prime Air busca entregar pacotes em menos de 30 minutos, mas para fazer isso precisará de uma rede de distribuição com centros de entrega próximos a grandes concentrações urbanas. Bem, o Walmart já conta com isso. “Nós temos uma dos maiores e mais eficientes cadeias de suprimentos no mundo”, disse Brian Nick, um representante do WalMart, dizendo que há uma unidade do supermercado próxima a 70% das pessoas nos Estados Unidos. “O que apresenta possibilidades únicas e interessantes para servir nossos clientes com drones”, indicou.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Igualdade de gênero é tema central de curso oferecido às funcionárias do Sindpd

Igualdade gênero Sindpd
via Sindpd

No dia 24, sábado, o Sindpd realizou mais um Programa de Qualificação Profissional, oferecendo para as funcionárias da capital e interior o curso de Políticas Públicas de Gênero, desenvolvido pela Fundação Ulysses Guimarães e mediado pela Pontua, empresa especializada em cursos voltados para a capacitação profissional. A edição faz parte de uma das iniciativas promovidas pelo Sindicato para a valorização da mulher e a busca pela igualdade de gênero. O curso teve o objetivo de resgatar parte da história das mulheres no Brasil e avaliar conceitos como empoderamento, igualdade e equidade.

Durante a videoaula, foram abordadas questões como a diferença social entre homens e mulheres. "Não há razões biológicas que justifiquem as diferenças sociais entre homens e mulheres. Porém nenhuma sociedade se dedicou à valorização ou respeito às diferenças que existem entre homens e mulheres", destaca o curso em um trecho da apresentação. Outro ponto destacado foi o empoderamento das mulheres em cargos públicos e políticos. De acordo com pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o percentual feminino no Congresso Nacional, em 2014, não chegou a 10%. Dentro desse contexto, ainda foram debatidas questões como a violência doméstica, direitos sexuais e reprodutivos, educação e os limites que podem ser vencidos considerando os rompimentos das fronteiras impostas.

Debate

Os educadores da Pontua, Maria Auxiliadora Marques e Edvaldo Reis da Silva Filho, discorreram sobre a temática e promoveram um debate e estudo analítico entre as funcionárias. "Pensando no Outubro Rosa, trouxemos esse curso que trata sobre gêneros para que as mulheres possam entender a sua importância na sociedade e o posicionamento atual", disse Mara. Com o curso, as participantes puderam entender melhor o contexto social em que estão inseridas. Com muito bom humor, uma das funcionárias da Entidade destacou que todas as mulheres são portadoras da Síndrome MMP (Mulher, Mãe e Profissional). Outras abordaram o fato de que a tolerância e o respeito são elementos fundamental para se construir uma sociedade com mais igualdade entre os gêneros.

Para Antonio Neto, o tema mostrou que é preciso respeitar e valorizar as mulheres. "O Sindicato está levantando essa discussão para que as companheiras possam ter clareza do que está sendo discutido na sociedade a respeito de políticas públicas. Não é só a lei Maria da Penha, temos várias políticas voltadas para garantir o direito da mulher. O Sindpd tem se preocupado com isso e, aproveitando o Outubro Rosa, vamos realizar diversas intervenções, como uma oficina gratuita sobre tecnologia, em parceria com o Technovation Brasil, [que aconteceu domingo, dia 25], voltada para meninas de 10 a 18 anos", comentou. Clique aqui para ler a matéria. Joel Chnaiderman, secretário de Comunicação e Imprensa do Sindicato, destacou a importância de oferecer aos funcionários um curso que trata de uma questão de grande complexidade, mas extremamente necessário para que as mulheres possam lutar pelos seus direitos. Nossa intenção é ampliar ainda mais os cursos para a capacitação dos nossos funcionários. Esse Programa tem acrescentado muito à visão daqueles que participam, pois trata de questões fundamentais para a sociedade", concluiu.

Filme - Não sei como ela consegue

O curso de qualificação profissional teve início na sexta-feira (23), com a exibição do filme "Não sei como ela consegue", que levou as espectadoras a uma reflexão sobre descobrir o que faz cada pessoa feliz. Kate Reddy, personagem interpretada por Sarah Jessica Parker, divide seu tempo entre o escritório e a família. Assim como todas as mulheres desse século, Kate deseja ser bem-sucedida nos negócios, e, com a promoção que recebe na empresa onde trabalha, ela se vê com problemas para dar atenção ao marido e aos filhos, pois precisa estar em uma outra cidade durante a semana. Logo, ela passa a analisar quais são as prioridades que gostaria de seguir na sua vida. A obra ainda presta homenagem às mulheres que precisam lidar com os inúmeros imprevistos do cotidiano. Dirigido por Douglas McGrath, e elenco composto por Greg Kinnear e Pierce Brosnan, a comédia romântica fez sucesso entre as espectadoras do Sindpd, que fizeram uma analogia entre a história do filme e seu próprio cotidiano.

Microsoft vai demitir mais 1 mil funcionários

Microsoft
via IDGNow

A Microsoft teve um bom trimestre fiscal, apresentando ganhos de lucratividade. O desempenho, porém, não impediu a companhia de demitir cerca de 1 mil empregados em uma nova rodada de cortes. A redução tocará postos de trabalho de diversas áreas e países onde a provedora atua e “reflete adaptações às necessidades do negócio”, pontuou um representante da empresa ao jornal The New York Times.

Vale notar que a Microsoft não confirma o número divulgado pelo New York Times de que serão 1 mil demitidos nesta nova rodada de cortes. O número de agora se soma a outros cortes anunciados pela Microsoft ao longo do ano, ocasionados, em grande parte, por problemas enfrentados em sua divisão de mobilidade. Vale lembrar que em julho de 2014, Satya Nadella, CEO da companhia, anunciou que cortaria 18 mil postos de trabalho. Isso representaria 14% do total de empregados da fabricante do Windows. Em julho de 2015, a Microsoft anunciou um corte de 7.800 funcionários pelo mundo, incluindo trabalhadores da empresa no Brasil.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Trabalhadores da DATAPREV garantem 8,17% de reajuste no TST

DATAPREV TST reajuste
via Sindpd

Com a proposta de reajuste salarial, do adicional de atividade e auxílio-alimentação de 8,17%, trabalhadores e DATAPREV fecharam acordo no Dissídio Coletivo. A negociação foi mediada pelo ministro Yves Gandra, vice-presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST). O reajuste começou a ser pago em outubro.

Segundo a decisão, o acordo também determinou a forma de pagamento do reajuste dos meses anteriores, respeitando a data-base da empresa - 1º de maio de 2015. Conforme a cláusula segunda, os funcionários receberão o valor correspondente ao retroativo em três parcelas iguais, nos meses de abril, agosto e dezembro de 2016. A proposta aprovada também inclui a ampliação do intervalo de amamentação para duas horas diárias e a licença-paternidade para 15 dias. O Acordo Coletivo de Trabalho tem vigência até 30 de abril de 2016.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Facebook libera recurso de busca universal por toda a rede social

Facebook
via IDGNow

O Facebook deu um passo e tanto nesta semana para ficar cada vez mais perto de ser o site onde os usuários passa mais tempo na Internet ao indexar todos os seus 2 trilhões de posts para buscas. Com isso, os usuários poderão fazer uma busca universal por tudo que já foi publicado (publicamente, é óbvio) na maior rede social do mundo com mais de 1 bilhão de usuários. Ou seja, o Facebook está ampliando e muito sua função de buscas para permitir que os seus usuários possam fazer pesquisas em tempo real sobre o que está acontecendo na Internet, assim como já é possível há um bom tempo no Twitter.

Ao buscar por NBA, por exemplo, você receberá uma lista de posts do Facebook, que começará por sites de notícias até chegar a usuários mais próximos e amigos – desde que os posts sejam públicos. O Facebook destaca que tudo que o usuário faz na plataforma é levado em conta na hora de informar os resultados das suas buscas – como quais os seus amigos e quais páginas você curte. Inicialmente, a novidade só estará disponível para os usuários que usam o Facebook em inglês (EUA). O recurso chega aos apps da rede social para iOS, Android e web. Atualmente, o Facebook já registra uma média de 1,5 bilhão de buscas por dia, número que só deve aumentar com essa novidade.

Antonio Neto: 'É hora de regulamentar a profissão de TI'

Antonio Neto Sindpd
via Sindpd

Assista à entrevista exclusiva com o presidente do Sindpd/SP, Antonio Neto.

A regulamentação da profissão de TI é uma necessidade imediata e precisa ser discutida nacionalmente, diz o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de TI de São Paulo, Antonio Neto. Segundo ele, essa é uma reivindicação dos trabalhadores e precisa ser colocada ao governo. "Mas precisamos de unidade entre todos os sindicatos do país para levar uma proposta consistente ao Governo. Quem pode determinar a regulamentação é o Executivo", afirma o sindicalista, em entrevista à CDTV, do portal Convergência Digital, concedida durante o Seminário de Pauta, realizado pelo Sindpd/SP, em São Paulo.

A campanha salarial 2016 - a data-base é janeiro - já está à mesa e Antonio Neto diz que a reoneração da folha de pagamento será razão de uma discussão séria, mas não pode ser um entrave para um acerto entre patrões e empregados. "É certo que mudou muito o clima econômico e político em 2015", salienta o presidente do Sindpd/SP. "Mas os patrões são muito chorões. Com a desoneração já havia muita reclamação. A crise gera oportunidades. TI é uma maneira de sair dela. Há muitas oportunidades", acrescenta o executivo.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

STF considera inviável pedido de explicações de Aécio Neves contra deputada Jandira Feghali sobre afirmação no Twitter

Direito e TI Aecio Neves Jandira Feghali
via Direito e TI

Leia a íntegra da decisão | Ação Cautelar (AC) 3883

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), julgou inadmissível interpelação judicial por meio da qual o senador Aécio Neves (PSDB-MG) pedia explicações à deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) acerca de postagem feita por ela no Twitter em maio deste ano. Ao negar seguimento à Ação Cautelar (AC) 3883, o decano do STF explicou que a interpelação judicial apresenta caráter instrumental, destinada ao esclarecimento de situações revestidas de dubiedade, equivocidade ou ambiguidade, conforme prevê o artigo 144 do Código Penal, “em ordem a viabilizar, tais sejam os esclarecimentos eventualmente prestados, a instauração de processo penal de conhecimento tendente à obtenção de um provimento condenatório”.

No caso em análise, o relator verificou que não é cabível o pedido de explicações de Aécio Neves por ausência de seus requisitos, uma vez que a “leitura das afirmações atribuídas à interpelanda [deputada] não permite qualquer dúvida em torno do real destinatário da manifestação alegadamente ofensiva”, o que afasta a possibilidade de interpelação judicial segundo inúmeros precedentes do STF. O ministro também destacou a inviabilidade do pedido em razão da imunidade parlamentar material, já que se trata de manifestação de membro do Congresso Nacional proferida em meios de comunicação social (Twitter). Segundo ele, a garantia prevista no artigo 53, caput, da Constituição Federal, não sofre limitações em decorrência do espaço em que o comentário foi proferido. “É irrelevante, por isso mesmo, para efeito de legítima invocação da imunidade parlamentar material, que o ato por ela amparado tenha ocorrido, ou não, na sede, ou em instalações, ou perante órgãos do Congresso Nacional”, afirmou. Para o ministro, a cláusula constitucional revela a preocupação do constituinte em garantir efetiva proteção ao parlamentar, permitindo-lhe, no desempenho de suas funções, “o amplo exercício da liberdade de expressão, qualquer que seja o âmbito espacial em que concretamente se manifeste, ainda que fora do recinto da própria Casa Legislativa, desde que as declarações emanadas do membro do Poder Legislativo – quando pronunciadas fora do Parlamento – guardem conexão com o desempenho do mandato”.

O ministro Celso de Mello destacou, ainda, que a garantia constitucional da imunidade parlamentar protege as entrevistas jornalísticas; a transmissão, para a imprensa, do conteúdo de pronunciamentos ou de relatórios produzidos nas Casas Legislativas; bem assim as declarações veiculadas por intermédio dos “mass media” (meios de comunicação de massa) ou dos “social media” (mídias sociais). Isto porque o Supremo tem reafirmado a importância do debate, pela mídia, das questões políticas protagonizadas pelos detentores de mandato. “Vê-se, portanto, que se revela incabível, na espécie, também por esse outro fundamento, a interpelação judicial contra a ora interpelanda [Jandira Feghali], eis que a declaração por ela feita no meio de comunicação social em questão (Twitter) acha-se amparada pela cláusula constitucional da imunidade parlamentar em sentido material”, concluiu o relator.

O ministro Celso de Mello enfatizou, nessa decisão, que não se admitirá a interpelação judicial fundada no artigo 144 do Código Penal nas hipóteses em que incidir, em favor de qualquer congressista, a cláusula constitucional da imunidade parlamentar material.

Caso

O senador Aécio Neves pretendia obter explicações da deputada federal Jandira Feghali acerca de comentário postado por ela em sua conta no Twitter. A declaração, de 19 de maio deste ano, dizia: “Aécio, o Brasil precisa saber de um helicóptero repleto de drogas” e fazia referência a helicóptero carregado de drogas apreendido em Minas Gerais há cerca de dois anos. Segundo o pedido, a frase comporta interpretações diversas, podendo, conforme a convicção de cada pessoa, especialmente da própria deputada, significar a prática de crimes contra a honra do senador.

Por aumento real e ampliação dos benefícios, Sindpd aprova pauta de reivindicações para 2016

Sindpd
via Sindpd

Na manhã desta quarta-feira, 21, em encerramento do Seminário de Pauta 2015, a diretoria do Sindpd aprovou a pauta de reivindicações para a Campanha Salarial do próximo ano. De acordo com o presidente Antonio Neto, a luta será por aumento real e pela ampliação das garantias já consolidadas na Convenção Coletiva de Trabalho. "Nosso empenho será pela solidificação das cláusulas. Será um ano que exigirá muita resistência para que possamos perenizar os direitos da categoria. Mas estamos prontos para os novos desafios. Durante estes três dias, estivemos reunidos com especialistas e autoridades em diversos temas para, justamente, estarmos capacitados para o debate. Temos a clareza necessária para discutir com o patronal o que os trabalhadores pedem", afirmou.

Amplamente discutida e já validada pela diretoria do Sindicato, a pauta de reivindicações será apresentada para exame da categoria em assembleias deliberativas que serão realizadas na sede do Sindpd (em 12 de dezembro) e nas 10 delegacias regionais do Estado (Araçatuba, Araraquara, Bauru, Campinas, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santos, São José dos Campos, São José do Rio Preto e Sorocaba) - em breve as datas das regionais serão divulgadas. Para Neto, é possível constatar a evolução histórica da Convenção Coletiva de Trabalho. Segundo afirma, as vitórias da categoria são provas inequívocas de que o setor permanece estratégico para o desenvolvimento nacional e, portanto, merece ter suas garantias preservadas. "Basta examinarmos as últimas Convenções para percebermos o quanto esta categoria tem conquistado. Vejam os números de trabalhadores beneficiados por acordos de PLR, os profissionais que passaram a ter direito a vale-refeição; isto não é uma vitória que se mede em número, é algo capaz de transformar vidas", disse.

Em recente análise divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o setor de Tecnologia da Informação permanece na contramão da crise. Além de manter saldo positivo na movimentação do emprego em todo o Brasil - 3.011 novos postos de trabalho, segundo informações atualizadas até 25 de setembro, com ênfase para São Paulo (2.707), principal responsável pelo resultado favorável -, projeções apontam que o segmento continuará com taxa promissora de crescimento, 7% a 7,2% e 5%, de acordo com a ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software) e da consultoria IDC (International Data Corporation), respectivamente.

Capacitação

O Seminário de Pauta 2015 foi realizado entre os dias 19 e 21 de outubro, e contou com a participação de especialistas e autoridades para capacitar os diretores do Sindicato para os desafios políticos, econômicos e setoriais do próximo ano. Na ocasião, participaram dirigentes sindicais de 18 estados e o Distrito Federal (São Paulo, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rondônia e Tocantins). Auditora aposentada da Receita Federal e coordenadora do movimento pela Auditoria Cidadã da Dívida Pública, Maria Lucia Fattorelli abriu o clico de palestras do Seminário abordando o caráter nocivo do denominado sistema da dívida pública brasileira e seu impacto sobre a classe trabalhadora.

Para contribuir à iminente negociação salarial da categoria, Francisco Gérson - procurador Regional do Trabalho da 7ª Região do Ceará e Doutor em Direito Constitucional pela Universidade Federal de Pernambuco - trouxe ao debate o movimento grevista enquanto direito fundamental dos trabalhadores, garantido pela própria Carta Magna. Fernando Ferrari Filho, doutor em Economia, apresentou um exame sobre a "Conjuntura Econômica para 2016", no qual discute os desafios políticos e financeiros do segundo mandato de Dilma Rousseff. Para lançar à plateia uma reflexão sobre os princípios e condutas que leva o ser humano a se posicionar sobre os maiores dilemas existenciais da vida, tomou a palavra o professor, doutor em comunicação pela USP, mestre em ciência política pela Universidade Paris III Sorbonne-Nouvelle e filósofo Clóvis de Barros Filho.

Encerrando o primeiro dia de exposições, o jornalista Paulo Henrique Amorim realizou sessão de autógrafos do recém-lançado "O quarto Poder", obra em que põe luz às histórias da fundação dos grandes veículos de mídia, com ênfase na criação e consolidação da Rede Globo durante o regime militar. O livro ainda se aventura pela história nacional e narra os encontros reveladores do jornalista com os principais nomes da imprensa e do poder no Brasil. Já no segundo dia, os espectadores puderam compreender a crise sob a análise de Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, que afirmou ser esta uma ressonância da crise de 2008, resultado do colapso das políticas neoliberalistas.

Oferecendo uma abordagem sobre os desafios que o desenvolvimento tecnológico apresenta para a manutenção da Justiça, Marcos Bruno, especialista em direito digital e sócio do escritório Opice Blum, discorreu acerca dos aspectos que tornam o Brasil um dos principais alvo de crimes na internet e como tornar a experiência do usuário mais segura. Jornalista, comentarista e colunista de economia, Luis Nassif afirmou que o País está pronto para enfrentar a atual conjuntura política e retomar o caminho do desenvolvimento, durante sua participação no Seminário. Segundo afirmou, o setor de Tecnologia da Informação faz parte da mola que impulsionará a economia brasileira. O ciclo de palestras terminou com a participação do jornalista e militante da esquerda durante o regime militar Flávio Tavares. Em um exame lúcido, Tavares foi contundente ao afirmar que a conjuntura atual brasileira, de colapso político, é ressonância da ditadura militar. A origem da crise política brasileira foi tema central em sua palestra.

domingo, 25 de outubro de 2015

Flávio Tavares: 'A crise de hoje teve origem em 64, é a crise da simulação'

via Sindpd

Flávio Tavares é autor dos livros Memórias do esquecimento, O dia em que Getúlio matou Allende, 1964 - O golpe, Meus 13 dias com Che Guevara e 1961 - O golpe derrotado.

O jornalista e militante da esquerda durante o regime militar Flávio Tavares foi contundente ao afirmar que a conjuntura atual brasileira, de colapso político, é ressonância da ditadura militar. A origem da crise política brasileira foi tema central em sua palestra no Seminário de Pauta. Ávido na luta pela redemocratização do Brasil, Tavares - que foi um dos presos políticos trocados pelo embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, sequestrado durante os anos de chumbo - destacou que uma das estratégias para a implantação do regime foi retirar das instâncias de poder as figuras combativas. "Para manter a legalidade do horror, o parlamento continuou, as Câmaras Legislativas continuaram, mas os melhores foram expulsos. (...) Eu quero chamar a atenção para o que isto gerou. Acho que a crise de hoje é mais uma crise dos políticos do que uma crise na política. A crise de hoje teve origem em 64, é a crise da simulação", analisou.

Segundo afirma, o Brasil vive hoje uma espécie de AIDS, uma Síndrome da Imunodeficiência Adquirida no poder, resultado da grande simulação deixada pela ditadura. "Temos uma engrenagem política, um simulacro de partidos políticos. A simulação é a mentira profunda. É a mentira que se disfarça de ser verdadeira, de ser aquilo que as pessoas desejariam que fosse a verdade", ressalta. Para ele, à época da ditadura, o Congresso se enfraqueceu e deu lugar a uma máquina burocrática. "O Congresso, que não tinha condição alguma, se tornou pequeno. (...) Não tinha função nenhuma na ditadura, mas precisava de mais espaço para manter a democracia do simulacro", enfatizou.

O jornalista aponta a regulamentação do Ato Institucional 5 - considerado o mais duro atentado contra a democracia, estabelecido em 13 de dezembro de 1968, durante o governo do general Costa e Silva - como umas das vias para que a opinião pública, e os Estados Unidos, desenhassem um cenário deturpado sobre o que estava acontecendo no País.  "O AI5 acabou com tudo. [surge] Nova ocupação das sedes dos sindicatos, novamente o horror de corpo inteiro. O terror se desnuda, passou-se a censurar até a previsão do tempo", disse. Para ele, embora se tenha enraizada a ideia de que a imprensa foi levada a colaborar com o regime, há certa conivência dos meios de comunicação para que se mantenha o cenário de dissimulação da verdade. "Acho que ninguém é obrigado, as pessoas são levadas a fazer, mas não são obrigadas a fazer. Quem não queira praticar o crime se nega a praticá-lo. A imprensa foi conivente, neste dia eu decidi passar de corpo e alma para a resistência", rememorou.

O legado de Getúlio Vargas

Para Flávio Tavares, além das contribuições sociais e econômicas do governo de Getúlio Vargas para o desenvolvimento nacional, outro importante mérito do presidente foi sua heróica interferência no despertar crítico do povo brasileiro. "Tudo tem um nascedouro. Acompanhei desde estudante a evolução da política. Um mês antes do suicídio de Getúlio eu estive com ele no Palácio do Catete. O suicídio de Vargas foi uma bofetada na sociedade brasileira, a fez despertar da letargia, a fez se reconhecer através do sangue do seu líder máximo", declarou. De acordo com o jornalista, é preciso justamente recobrar a consciência política para que o País possa se distanciar da crise. Para ele, há, fatalmente, um sério colapso de representação que afeta, por consequência, a participação social na realidade política. "Das Câmaras de Vereadores até o Congresso Nacional, o grande caudal é de gente desinteressada da política e de gente interessada em si. Esta loucura partidária brasileira não representa nada, a redemocratização se faz às sombras da ditadura", condenou.

Um exame objetivo da crise

Para Flávio Tavares faz-se emergente um exame objetivo da crise, de modo a conter aquilo que chama de simulacro. Em seu argumento, ele afirma que as fraudes, enquanto mentiras plantadas, contribuem para o desvio da real compreensão da crise. "O legado da ditadura esta aí hoje, tudo é estatística, todos sobrevivem do passado, e isto sintetiza a visão economista do passado", apontou em referência ao Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), fundado em novembro de 1961, e dirigido por Golbery do Couto e Silva, um dos mentores da ditadura militar. O jornalista faz uma crítica contundente sobre as implicações sociais de estimular a cada dia uma sociedade de consumo em detrimento de uma que participe criticamente das decisões políticas. "A sociedade de consumo hoje nos assoberbou escandalosamente, criou consumidores. O convívio com meus semelhantes eu não tenho mais. Estão pensando em consumismo, mas a finalidade da vida não é consumo, é convivência, é solidariedade. (...) Isto mudou nossa visão de mundo, mudou nossa consciência e fez com que aceitemos o que acontece hoje, porque o que a sociedade de consumo quer é isto, as ilusões", encerrou.

Ciro Gomes: 'A gente tem que se concentrar em emancipar o Brasil'

via Sindpd

Em sua palestra no Seminário de Pauta, o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes explicou que a crise que enfrentamos ainda é a crise de 2008, resultado do colapso do neoliberalismo. "A política neoliberal adotada pelas grandes potenciais do mundo causa o mesmo efeito desastroso que um pecuarista, que ao ter uma vaca infestada de carrapatos e resolve que - para solucionar o problema - terá que dar um tiro na cabeça da vaca. Realmente irá resolver o problema dos carrapatos, mas também não teremos mais a vaca. Isso é o que neoliberalismo fez com o mundo", disse.

"A crise que vivemos é resultado da decisão que os Estados Unidos tomaram de desregular no limite extremo a economia, e isso afetou todo o mundo. Exemplificando, a crise norte-americana afetou a Europa e atingiu a China. O maior mercado comprador do Brasil é a China, depois Estados Unidos, Mercosul e Europa, ou seja, o esfriamento da economia norte-americana atingiu, sim, o Brasil e é o resultado desse efeito dominó causado pelas políticas neoliberais que estamos enfrentando. A crise de 2008 é quatro vezes pior que a crise da quebra da bolsa de valores de 1929", explicou Gomes.

De acordo com ex-ministro da Fazenda, o Brasil não tinha e não tem estruturas políticas e econômicas sólidas o suficiente para lidar com o recuo da economia mundial. "O minério de ferro que antes era exportado do Brasil a 180 dólares este ano está sendo comercializado por 54 dólares. Já o barril do petróleo que era vendido a 100 dólares está sendo vendido por 45 dólares, e essa baixa na compra do petróleo atingiu todas as petrolíferas do mundo não só no Brasil. O que ferrou a Petrobrás não foi a roubalheira horrorosa, a canalhice, não foi o fato de a companhia ser uma estatal, mas sim porque todas as petroleiras do mundo perderam competitividade", avaliou.

"Os problemas econômicos que enfrentamos não vem do governo só de agora, é resultado de um desequilíbrio nas contas que ocorre há anos. O Brasil paga por ano hoje 12 bilhões de contas em royalties por uso de tecnologias que importamos. O País tem um buraco de 100 bilhões de dólares no ano. Isso porque a demanda por dólar no Brasil é muito grande e a oferta muito baixa, por isto o preço do dólar está alto", conta Gomes. Além disso, ela explica que o diesel é petróleo, então se sobe o câmbio, sobe o preço do diesel e isto afeta o transporte. "Esta é uma das razões da inflação que estamos assistindo no Brasil. A energia elétrica tem relação com o câmbio", afirma o político.

Na palestra, Ciro Gomes defendeu a democracia e soberania brasileira como soluções para a crise.  "A política e a reforma política são as únicas formas de mudar o cenário econômico que vivemos. O descontrole da economia e fragilidade política que vivemos têm fortalecido a crise e muito. Nós temos que defender o mandato da presidente Dilma Rousseff, porque, mesmo que a presidente faça um mau mandato, é fundamental defender a democracia, pois no presidencialismo o mandato é nosso, do povo. Caso haja o impeachment, teremos pelo menos 20 anos de democracia comprometidos. Existem caminhos para resolver o problema brasileiro, e ele começa pela baixa dos juros, pela não interefência no valor do dólar pelo governo, além de investir na criação de tecnologia nacional. E temos que fugir desse discurso moralista. A gente não pode confundir a política com novela moralista. A gente tem que se concentrar em emancipar o Brasil", concluiu.

Paulo Henrique Amorim: 'Esse livro é o testemunho da minha vida'

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O jornalista Paulo Henrique Amorim encerrou o 1º dia do Seminário de Pauta com a sessão de autógrafos do livro 'O quarto poder', obra que conta histórias escondidas e pouco conhecidas da grande mídia, passando pela criação e consolidação da Rede Globo, durante o governo militar, incluindo também momentos da história brasileira. PHA narra os encontros reveladores que teve com os principais nomes da imprensa e do poder no Brasil.

Uma dessas revelações diz respeito ao processo de construção da indústria de TV no País, com a ligação entre a empresa Time Life e a Globo. "A Time Life criou um dos maiores grupos de TV do Brasil. Vendo isso, o Costa e Silva mandou o Roberto Marinho comprar as ações que a Time Life tinha. Porque o ex-presidente Castelo Branco já não tinha gostado da Time Life ser sócia da Globo, e o Costa e Silva herdou esse problema, porque o Castelo não quis sujar as mãos. E ele deu uma instrução clara a um de seus ministros: 'Resolva esse problema de ter uma companhia estrangeira sócia de uma rede de televisão no Brasil'", narrou Amorim.

O escritor reitera que essa negociação de tirar a Time Life da sociedade só aconteceu depois do acordo de Roberto Marinho com o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Petrobrás. "O Banco do Brasil, a Caixa e a Petrobrás financiaram a Globo em troca de publicidade", disse. Revelando ainda as articulações feitas pelo poder, Amorim relata como Antonio Carlos Magalhães foi nomeado ministro das Comunicações por Tancredo Neves, sendo confirmado no cargo por José Sarney, além da ligação do presidente com a Globo. "Eu conto também como o Magalhães foi escolhido ministro das Comunicações pelo Tancredo. E a ligação do presidente Sarney com a Globo. Pois quem mandava no governo Sarney era o Roberto Marinho. A Globo é muito pelo que não deu do que pelo que deu", revelou.

Paulo Henrique Amorim é categórico ao resumir sua obra. "Esse livro é uma tentativa de explicar a indústria brasileira de televisão e a minha participação nesse processo como repórter e personagem de alguns episódios", finalizou. O quarto poder é resultado de intenso trabalho do jornalista durante quatro anos, em um longo processo de catalogação, pesquisa e reunião das anotações de PHA em seu trabalho como jornalista nos últimos 50 anos.

Luis Nassif: 'Se o governo não mudar a economia, o mercado não segura seis meses'

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Confira as soluções para a crise brasileira na apresentação do jornalista de economia Luis Nassif.

"Eu tenho uma grande novidade para trazer a vocês hoje: o Brasil não vai acabar". Jornalista, comentarista e colunista de economia, Luis Nassif afirmou que o País está pronto para enfrentar a atual conjuntura política e retomar o caminho do desenvolvimento. Convicto de que o setor de Tecnologia da Informação faz parte da mola que impulsionará a economia brasileira, Nassif fez uma analogia com a área para reforçar sua crença no progresso nacional. "Se fôssemos um sistema, já temos um controle de processo e diagnósticos. Estamos em fase de transição, mas se tem um País pronto, é o Brasil", reiterou o jornalista.

Para o comentarista da TV Cultura, a situação política é similar com a aquela com a qual a sociedade brasileira viveu na década de 1970, com o chamado milagre econômico, e a crise, que levou a campanhas como a Diretas Já!, mas com "todas as peças do tabuleiro". De acordo com Nassif, "em termos relativos, o crescimento do País em muitos setores é um crescimento significativo", inclusive, alavancado pela nova classe média. Segundo dados expostos pelo palestrante durante o Seminário de Pauta, só no comércio eletrônico houve um crescimento de 43%, um salto de 40,5% em dez anos. Em 2011, o número de alfabetizados no Brasil alcançou a marca de 90,17%, o que explica a mudança de demandas da emergente classe C e o "dinamismo monumental" na sociedade brasileira.

Para Luis Nassif, existem pontos que demonstram que o País não ficou parado nos últimos anos, e que "essa crise pega o País em outra situação, com outros predicados e potenciais". Ainda de acordo com o jornalista, atualmente há 14,7 milhões de jovens promissores no Brasil, 59% com ensino médio completo; 30,3 milhões de trabalhadores e 11,6 milhões de empreendedores. "[Portanto], o que acontece no mercado, hoje, não tem explicação. Ano passado já tinha um desaquecimento da economia, e o grande economista é aquele que percebe os sinais de mudanças de rumo antes de vir os indicadores", expôs o colunista econômico. Segundo Nassif, uma das principais causas da crise atual é o aumento da taxa de juros básica que derrubou uma demanda já enfraquecida.

"O que acontece quando você joga a taxa de juros a 14,25%? Provoca uma recessão que derruba a receita fiscal só para manter o grau de investimento nas agências de risco. A dívida pública, com isso, sobe de 20 a 25% ao ano. Dentro desse modelo, o PIB [Produto Interno Bruto] cai e mesmo se tudo der certo, não vai dar certo", esclareceu Nassif. De acordo com os últimos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o PIB caiu 1,9% no segundo trimestre de 2015 e o desemprego chegou a 7,6% em setembro deste ano - a indústria amargou o oitavo resultado negativo consecutivo em agosto, quando caiu 0,8%. Reflexos do endividamento das empresas, o jornalista garante que os índices são resultados de ajuste fiscal e monetário realizado ao mesmo tempo.

"Não existe essa história que em recessão você põe o ajuste fiscal e monetário. Você põe o fiscal, aí você dá tempo para as empresas e pessoas físicas renegociarem suas dívidas com taxas de juros razoáveis para voltar ao estágio de crescimento. Mas, o que estão fazendo é uma pinça: pegando os dois lados", explica Nassif, mas assegura: "Se o governo mudar a economia, o mercado muda agora; se ele não mudar, o mercado não segura seis meses". De acordo com o colunista da Carta Capital, uma das soluções para estabilizar a conjuntura político-econômica brasileira encontra-se na categoria de TI. Para conquistar bem-estar social, serviços públicos e empregos de qualidade, desburocratização e garantir a proteção da democracia e alavancar o País ao patamar da competitividade mundial, a participação dos profissionais do setor é fundamental.

"A aceleração do desenvolvimento tecnológico; as TICs continuando a modificar a natureza do trabalho, a estrutura da produção, educação e relação entre pessoas; o crescimento dos investimentos em automação e robótica e o crescimento dos investimentos e aplicação no campo da nanotecnologia e biotecnologia são as megatendências da ciência", concluiu Luis Nassif.

Marcos Bruno: 'A internet não é um mundo sem lei'

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Veja a apresentação do especialista em direito eletrônico Marcos Bruno.

Marcos Bruno, especialista em direito digital, discorreu sobre os aspectos que tornam o Brasil um dos principais alvos de crimes na internet devido ao crescimento do número de usuários nos últimos anos. "Os brasileiros aderiram à internet e a novas tecnologias. [No ranking mundial de acesso a internet] estamos em segundo lugar em número de usuários ativos. Como há uma grande demanda, existe uma grande quantidade de crimes digitais, como é natural, se você tem um país que tem um número maior de acesso à internet.", apontou o advogado e sócio da Opice Blum, escritório especializado em direito eletrônico.

Durante sua palestra no Seminário de Pauta, Bruno apresentou dados sobre o comportamento dos brasileiros na rede. Por segundo, o Brasil faz cerca de 54 mil inserções no Facebook e aproximadamente 2.314 horas de uploads de vídeos do Youtube. "A internet é boa, a gente não pode condenar a tecnologia, mas quando usada para o mal, ela pode ter uma proporção muito grande", disse. Devido ao aumento da acessibilidade à internet, é natural que ocorram situações que ultrapassam o limites da liberdade de expressão afirma Marcos Bruno. "18% [das pessoas] respondem que já foram vítimas de crimes digitais. Isto é um fenômeno que a gente verifica. Neste ano, 44,5% foram vítima ou tiveram parentes com cartão [de crédito] clonado. Em 2013, o percentual era de 31,8%. Os crimes estão cada vez mais migrando para a internet", explicou o especialista. "Aquilo que acontece na internet tem efeitos e consequências. Os rastros tecnológicos ficam e carregam uma grande possibilidade de identificação dos seus usuários. A Internet não é um mundo sem lei", lembra Bruno.

Monitoramento

O palestrante também alertou sobre a necessidade de se cuidar do monitoramento de acesso dos funcionários que podem fraudar as empresas para as quais trabalham, enviando informações confidenciais para concorrentes. "A gente vive numa sociedade hiperconectada. A internet é uma tecnologia que se espalha muito rapidamente. O ambiente de trabalho também está se alterando. Hoje você trabalha conectado e isto traz uma serie de preocupações, especialmente com a conduta do seu funcionário", conta.

Segundo o Marcos Bruno, muitas informações confidenciais podem vazar na rede de maneira simples. "Um funcionário que quer salvar parte do seu trabalho que está na empresa para continuar em casa coloca isso em ferramentas de compartilhamento público. E sem nenhuma intenção má por parte do trabalhador acaba vazando na internet. Isso acontece porque algumas ferramentas são de uso público. Se fizermos uma busca no Google com a palavra 'confidencial', vão aparecer ali cerca de 2 milhões de documentos de extrema importância", indica. Outra questão são as brincadeiras que muitos fazem sem considerar os impactos posteriores. "Nós temos uma nova geração. Se não a educarmos, eles podem ser vítimas de coisas muito graves", destacou.

Judiciário

Bruno conta que o Poder Judiciário tem usado as redes sociais para a apuração de fatos colocados tanto por pessoas que sofreram com invasões, e por meio da Justiça solicitam ajuda, quanto para identificar o fraudador. "Os juízes hoje têm que começar a lidar com a tecnologia, entender que nem tudo que eles veem é verdade, que é possível fraudar sim", ressaltou. O palestrante afirma que "esse tipo e situação é cada vez mais comum, muitas vezes as pessoas postam coisas que são incongruentes com as ações que empenham. Cada vez mais o Judiciário usa as redes sociais. Mas é importante lembrar que o mau uso das redes sociais é constante. Existe uma falta de mensuração, e essa conduta é prejudicial". A invasão aos bancos de dados também fazem parte desse cenário. "Invasão a bancos de dados é comum. O fraudador vai lá e invade a base de dados de um programa de fidelidade, por exemplo, e você recebe um e-mail falando que ganhou milhas. Quando você clica, pega vírus, e aquilo acaba por fornecer dados pessoais, que teoricamente seriam confidenciais", alertou o especialista.

Marco Civil

Marcos Bruno colocou em debate a dificuldade de punição dos crimes por meio da legislação brasileira, que oferece aos criminosos álibis para a absolvição. O palestrante acredita que é necessária uma mudança nas leis para desestimular o crescimento das infrações, já que o Ministério da Justiça usa o Código Penal Brasileiro para punir os crimes na internet. "Existe uma potencialização natural, e a lei tem uma falha porque não conta essa potencialização na hora de aplicar a pena", disse. "Se um policial prende uma pessoa com uma quantidade significativa de droga, aquilo servia de prova. Hoje não, a contabilidade da boca de fumo pode ser feita através de celular. E aí precisa de autorização do Judiciário para o acesso a esta informação. Assim acontece com os crimes virtuais. A defensoria acaba achando artifícios na Lei e acaba prejudicando o cidadão de bem, que foi lesado por alguma fraude", completou.

Bruno reforça que "temos poucos avanços na legislação. A Lei nº 12.737, mais conhecida como Lei Carolina Dieckman, acabou sendo um avanço, mas ela apenas tipifica o crime de invasão na internet.". "O fato de você invadir o dispositivo não era tipificado como crime. O grande avanço da Lei Carolina Dieckmann foi esta, tipificar a invasão", considerou. Marcos Bruno considera que a privacidade na internet não existirá mais e a cada ano esse processo ficará muito mais complexo. "Nossa intimidade deixará de existir. Tudo o que a gente faz está sendo coletado", sentenciou.

sábado, 24 de outubro de 2015

Clóvis de Barros Filho: 'Ética e Vergonha na Cara'

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Para lançar à plateia uma reflexão sobre os princípios e condutas que leva o ser humano a se posicionar sobre os maiores dilemas existenciais da vida, tomou a palavra o professor, doutor em comunicação pela USP, mestre em ciência política pela Universidade Paris III Sorbonne-Nouvelle e filósofo, Clóvis de Barros Filho. "Ética e Vergonha na Cara" foi o tema de sua palestra no Seminário de Pauta. Considerado um dos principais pensadores da modernidade, Clóvis lançou uma constatação: "muitas vezes a vida que decidimos viver é dependente de situações que não controlamos". De acordo com o filósofo, "escolhas" é a palavra-chave que nos impele a "identificar a alternativa de maior valor" em qualquer circunstância imposta pela vida, mesmo nos acontecimentos cotidianos.

"Se tenho escolhido desde que nasci, é sinal que tenho atribuído valor desde que nasci. Se há um bolo de chocolate e outro de qualquer sabor, alguns optarão por um e outros pelo que sobrou. Algum tipo de valor atribuíram", exemplificou o professor. Para o também escritor, "não há vida sem escolha, e não há escolha sem valor", e a angústia, proporcionada por essa liberdade, é algo que sempre acompanhará as tomadas de decisões. Seja no ambiente de trabalho, educacional ou familiar, Clóvis reitera que "cada segundo da vida é um nó e, assim, haverá o medo de arriscar, de se arrepender". Porém, de acordo com o publicado no livro escrito a quatro mãos, junto ao também filósofo Mario Sergio Cortella, que leva o mesmo nome da palestra - "Ética e Vergonha na Cara" -, o certo e o errado podem ser decididos por meio de um fundamento democrático: "passa a ser o resultado da vitória do melhor argumento numa ética de diálogo, de discussão, de embate".

Tendo como base o teórico Rousseau, o professor explica na obra que o homem transcende a sua natureza, tem capacidade de inventar, criar, improvisar, inovar, empreender e pensar em soluções "nunca antes pensadas para situações nunca antes vividas". Porém, segundo o livre-docente, é justamente essa responsabilidade diária que nos faz culpar o sistema pelo diversos problemas enfrentados pela humanidade, como a corrupção. "Ética é a necessidade de encontrar caminhos quando o instinto não responde mais; a necessidade de perceber que vontade não é desejo, porque vontade, muito mais do que uma inclinação do corpo, é uma decisão racional, elaborada e criativa sobre para onde queremos ir [...] mas o indivíduo prefere uma solução pronta à outra que ele mesmo tenha que buscar. Existe uma tentativa permanente de protocolos prontos da existência", afirma Clóvis.

Apesar do sentimento de angústia provocado pelos variados cenários de realidade, durante o Seminário, o professor deu a lição de casa sobre como cada um pode problematizar seus dilemas e encontrar saídas menos penosas e compatíveis com a conduta ética. "Entender o que é mais importante de se fazer na vida" é um dos caminhos em direção a soluções democráticas. O professor reforça que, para isso, é necessário um novo modelo de escola, que também dê ênfase e espaço a aulas de cidadania para mudar a cultura do foco no resultado enraizado em nossa sociedade. De acordo com o exposto pelo doutor em comunicação, "toda vez que o foco está em alguma coisa, fica descaracterizada a ideia de complexidade, diversidade, pluralidade. Se houver um conflito entre honestidade e resultado, então, a resposta está no banner: o foco é no resultado [...], mesmo que isso implique mentir", esclarece.

Segundo Clóvis de Barros Filhos, "excelência, amor, alegria ou fidelidade - [decidir com base nessas quatro filosofias] - prometem a mesma coisa: uma convivência mais feliz". "Felicidade é aquele instante da vida que você gostaria que acontecesse de novo. A meta das metas é proporcionar a alguém um mísero segundo de felicidade. [Com isso], todos nós patrocinaríamos a nós e a nossos filhos uma sociedade muito melhor, mais honesta, mais limpa, mais viva", concluiu, e completou: "Diziam que o céu é o limite, mas o homem já furou o céu faz tempo. Para o homem, não há limite".

Francisco Gérson: 'A maior arma do sindicalista é o grito, é preciso gritar'

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Confira a apresentação do Francisco Gérson - procurador Regional do Trabalho da 7ª Região do Ceará - sobre o direito de greve.

A segunda palestra da agenda do Seminário de Pauta 2015 trouxe ao debate o movimento grevista enquanto direito fundamental à classe trabalhadora. Em "Greve: um direito antipático", Francisco Gérson - procurador Regional do Trabalho da 7ª Região do Ceará - apresentou as razões pelas quais as paralisações coletivas de trabalho permanecem marginalizadas. Doutor em Direito Constitucional pela Universidade Federal de Pernambuco, o palestrante também é professor adjunto da Universidade Federal do Ceará, onde criou o GRUPE (Grupo de Estudos e Defesa do Direito do Trabalho e do Processo Trabalhista).

O especialista apresentou aos espectadores uma introdução sobre a legalidade dos ritos de greve, garantia incorporada na Constituição Federal (Lei nº 7.783, de 28 de junho de 1989) durante o governo Sarney. Em seu argumento, Gérson destacou que, embora esteja integrada ao eixo de direitos fundamentais da Carta Magna, a greve mantém uma imagem negativa no imaginário de diversos setores, inclusive da população. "Quando a gente fala do direito à vida, todo mundo reconhece, o direito ao repouso, à saúde, mas quando falamos em greve, a coisa muda e todo mundo olha enviesado. É interessante que enquanto algumas categorias fazem greve outras criticam, mas esses polos, em algum momento, se invertem", destacou.

Afirmando ser a greve um fenômeno social, não jurídico, Gérson apontou que a transformação da paralisação como garantia inequívoca da classe operária tornou-se realidade por tratar-se de uma manifestação irreprimível pelos agentes de poder. "Quando você fala em regulamentar, você fala em restringir o direito de greve. O capital percebeu que não tinha como suprimir o direito de greve, então era melhor regulamentar. (...) não estamos pregando a greve, mas a greve, se necessária, precisa ser exercida. Mesmo que o Estado tente abafar esses movimentos, só faz nascerem lideranças e aí se criam mártires e não se resolvem os problemas", apontou.

Para o professor, é preciso reconhecer a greve enquanto tentativa extrema do trabalhador de reivindicar seus direitos. Segundo diz, além de seus méritos, é importante compreender as complexidades que circundam as ações de mobilização. "O trabalhador recorre ao último recurso que é a paralisação. Não é todo sindicato que consegue puxar uma paralisação, porque requer dinheiro, taxa assistencial, aproximação com a categoria. A greve, para ser deflagrada, vem de um arcabouço enorme, não é coisa simples. O que ocorre antes para chegar até aquele momento daria um livro", disse.

Evocando o Artigo nono da Constituição - em que é assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender -, Gérson ressaltou que não há razões que deslegitimem o movimento de greve, tampouco o frágil argumento de que afeta a população. "O direito de greve está colocado em nossa Constituição dentro do título de direitos fundamentais, não tem nenhum distanciamento com os demais direitos. (...) quem escolhe a oportunidade são os trabalhadores, não é a empresa, nem o Ministério Público. A greve, sim, tem um interesse nítido de causar prejuízo a alguém, para que haja repercussão, "defendeu.

Segundo destaca, a greve funciona como a luta pela garantia de outros direitos. "É importante para a dignidade dos trabalhadores. É o único grito dos trabalhadores para reivindicar seus direitos e condições de trabalho. É um instrumento de garantia material dos trabalhadores, um instrumento de justiça social, de distribuição de renda, um instrumento de equilíbrio de força entre o capital e o trabalho", declarou.

Greve no serviço público

Embora esteja previsto no Artigo 37 da Constituição, a greve no serviço público encontra dificuldades para o seu exercício. De acordo com a legislação, "o direito de greve deve ser exercido nos termos e limites definidos em lei específica", mas, por não haver lei específica, os trabalhadores do serviço público devem seguir as regras do setor privado. Sobre este aspecto, a Central dos Sindicatos Brasileiros tem encampado ampla mobilização pela regulamentação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho, para garantir o direito à negociação coletiva e à greve no setor público, tendo em vista o vácuo legislativo que perdura há mais de 17 anos.

Conflitos de interesse

O professor afirmou, durante a exposição, haver uma tentativa nítida de enfraquecer a legitimidade do movimento grevista. Para ele, embora a garantia exista há 26 anos, ela ainda incomoda os agentes detentores de poder. "Uma greve quando estoura afeta vários interesses, econômicos, sociais, políticos. Um sindicato que tem poder para organizar uma movimentação muito grande chama aos olhos dos outros poderes", evidenciou. Em sua análise, Gérson ressaltou que há uma perseguição contra as paralisações, que se faz clara na atuação da polícia durante as ações de greve. "Se tem uma greve, a polícia é logo destacada para lá, mas se tem uma denúncia de trabalho escravo, o sindicalista pede, implora, ora, mas não acontece. A opressão da greve fica a cargo do Estado, pelo capital. Se deflagrada a greve, todo mundo olha para ela amolando o facão, esperando um deslize", considerou.

Para ele, um dos artifícios para desestabilizar o movimento grevista é o interdito proibitório, um mecanismo de processo de defesa da posse, previsto no Artigo 932, do Código do Processo Civil, amplamente utilizado pelas empresas para barrar a aproximação dos sindicatos com os trabalhadores da categoria. "Interditos proibitórios visam proteger a posse de uma propriedade. Sob esta justificativa, essas empresas ajuízam durante as greves para proibir a depredação contra o imóvel, mas essas medidas são feitas com o propósito de esvaziar a greve. Este juízo crítico não estão [os tribunais] fazendo. A lei é bem clara, na greve o sindicalista pode aliciar os trabalhadores para participar do movimento. Aliciar é uma palavra forte para mostrar o poder que a greve tem", disse.

Outro instrumento de dissuasão do movimento grevista, para o especialista, é o dissídio de abusividade, quando se decreta a ilegalidade da greve. Segundo aponta, basta ajuizar qualquer dissídio para haver 90% de chance de decretarem ilegal a greve. "É natural que na greve exista medição de força, carros de som, palavras de ordem. A maior arma do sindicalista é o grito, é preciso gritar. (...) na greve não pode haver violência, mas que tipo de violência, violência contra quem? Se uma empresa demite em massa e a categoria decide fazer uma greve, de quem é a violência?. Estão querendo domesticar a categoria, domesticar o sindicalista. Precisamos definir o que é violência e em qual momento ela ocorre", acentua Gérson.

Crise econômica

Em exame sobre o atual cenário de crise política, econômica e institucional, Francisco Gérson argumentou que o Brasil está vivendo uma inércia crítica. "O País está caído em crise porque teve pouca paralisação. Se tivesse uma conscientização maior, o País não tinha chegado aonde chegou. O País chegou a este ponto porque estamos vivendo uma apatia social e política muito grande. Todo mundo olha como se fosse nada". Para ele, a crise, embora uma verdade inegável, "pode estar sendo utilizada para a retirada de direitos trabalhistas". (...) "Eu não estou entendendo o que está acontecendo com o País. Agora os direitos sociais estão sendo retirados. Todo dia quando sai uma nova regulamentação é para tirar direitos do povo. Eu estou estupefato, para não dizer decepcionado. Tem propostas que saem direto do próprio Ministério Público", criticou.

Reforma urg​ente

Francisco Gérson fez um apelo para que haja uma reforma no modo como a Justiça tem analisado os processos de greve. "O direito é uma caixa de cupim, tem saída para todo lado, o que importa é o querer. Se a pessoa quer fazer o certo, consegue encontrar os princípios, as leis. Quem quer fazer, faz, para o bem e para o mal. (...) eu faço um apelo para que nessas ações não sejam [os tribunais] só técnicos, mas que façam um interpretação social, uma interpretação crítica e social do Direito. Vamos ver se conseguimos humanizar a jurisprudência dos tribunais", finalizou.

Fernando Ferrari: 'Política de Levy é samba de uma nota só'

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Confira a análise da conjuntura econômica brasileira feita pelo economista Fernando Ferrari.

O doutor em economia Fernando Ferrari Filho apresentou no Seminário de Pauta do Sindpd a palestra "A Conjuntura Econômica para 2016" na qual apresenta o cenário político e econômico do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Para Ferrari, a política adotada pelo atual ministro da Fazenda, Joaquim Levy, pode ser comparada a um "samba de uma nota só". "A previsão de crescimento médio para o segundo governo da petista é ruim, pois as expectativas para 2015 e 2016 são de que o Produto Interno Bruto (PIB) fique negativo em 3,0% e entre -1,0% e -1,5%, respectivamente. Para 2016, a inflação variará entre 6,0% e 6,5%, a taxa Selic deverá ficar em 14,25%, e o dólar deve chegar a R$ 4,20.

Atualmente, a política brasileira é sustentada pelo tripé metas ficais, metas de inflação e câmbio flexível. Se continuarmos nesse modelo, não vamos chegar muito longe", avaliou. Segundo o palestrante, esse cenário econômico de crise vivido pelo Brasil caracteriza-se pelo aumento da inflação, estagnação da atividade produtiva e desemprego em ascensão, que corroboram para os problemas de desindustrialização e perda de competitividade da economia devido ao alto custo de produção. "Entre os anos de 2011 e 2014, o PIB nacional cresceu, em média, 2,1% ao ano e caracterizou-se pela tendência stop and go. A inflação média foi de 6,2% ao ano. Em 2015, o cenário inflacionário e de estagnação agravou-se", expôs.

De acordo com o economista, "outro ponto negativo foi a volatilidade do câmbio. A volatilidade da taxa de câmbio fez com que ora se chegasse  a R$ 1,95, ora a R$ 2,65 (como em dezembro do ano passado) e agora está próximo a R$ 4. Isso cria um ambiente desfavorável para a criação de investimentos. Ademais, a política monetária tem de controlar a inflação de demanda e se preocupar com o crescimento do desemprego. O Banco Central tem que intervir no câmbio, bem como a política industrial deve ser ampla, e não setorial", explica Ferrari.

Economicamente, o ano de 2015 está perdido e o de 2016 semiperdido. Em 2018, se ventos favoráveis soprarem, talvez haja crescimento, afirma o economista. "Os maiores problemas do Brasil estão, entre outros, na desindustrialização, na volatilidade cambial e na falta de uma política industrial e tecnológica. Outra questão é a reprimarização da pauta de exportações, ou seja, as exportações estão cada vez mais concentradas em produtos básicos, agropecuários e commodities industriais, em geral, mercadorias de baixa tecnologia. Além disso, surgiram novos países na disputa pelo mercado de manufaturados, como Índia, Vietnã e países africanos, o que gerou queda das exportações brasileiras", frisou. O aumento da tributação e a ineficiência da máquina pública também foram apontados como agravantes da crise por Fernando Ferrari Filho. "O Brasil é um dos países com os custos tributários mais altos do mundo. A solução para crise é a longo prazo e exigirá reformas estrutural-institucionais. Com essas reformas e com um governo estadista, que tenha um projeto nacional,o Brasil poderá voltar a crescer", finalizou.

Maria Lucia Fattorelli: 'O Brasil está entregando seu patrimônio para rolar a dívida pública'

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Clique aqui e veja os números da dívida pública brasileira na apresentação de Maria Lucia Fattorelli.

Abrindo o ciclo de palestras do Seminário de Pauta 2015 do Sindpd, Maria Lucia Fattorelli - auditora aposentada da Receita Federal e coordenadora do movimento pela Auditoria Cidadã da Dívida Pública - abordou o caráter nocivo do denominado sistema da dívida pública brasileira e seu impacto sobre a classe trabalhadora. A palestrante destacou que a dívida tem papel fundamental no modelo econômico baseado no desperdício e na concentração da renda, que joga a população na miséria e cria uma desordem total no País. "Com ela [dívida pública], o Brasil tem de cortar tudo e entregar o patrimônio para pagar a dívida", disse Maria Lucia.

Dados do Tesouro Nacional apontam que, de janeiro a agosto de 2015, a dívida pública aumentou quase meio trilhão de reais. Até 30 de setembro deste ano, a dívida consumiu R$ 773 bilhões, o que representa 47% do gasto federal segundo o portal Auditoria Cidadã da Dívida. E a dívida interna brasileira, que começou no governo de Fernando Henrique Cardoso, alcançou R$ 3,7 trilhões em agosto afirma Maria Lucia. "Essa dívida sem contrapartida [ou seja, sem a aplicação dos recursos nas áreas sociais e nos serviços públicos] gera juros sobre juros, conflito de interesses e falta de transparência", destacou a coordenadora da Auditoria Cidadã.  Antonio Neto, presidente do Sindpd, disse que o sistema de geração de juros sobre juros leva a dívida para além dos limites do bom senso. "O ministro do Planejamento [Nelson Barbosa] não tocou no assunto quando nos reunimos com ele para discutir o fórum sobre emprego, trabalho e renda. O governo prefere cortar gastos na Previdência, cortar gastos públicos sociais. Ninguém fala da dívida", criticou Neto.

Privilégios financeiros

O lucro dos bancos não ficou de fora da análise de Maria Lucia Fattorelli. Nos dados apresentados pela especialista, as instituições financeiras lucraram em 2014 R$ 80 bilhões. "Isso é quase o orçamento anual da saúde e é feito enquanto a economia brasileira está em queda", revelou. Para a palestrante, está havendo a transferência de recursos públicos para o setor financeiro privado. "E a mola disso é o sistema da dívida. A primeira mola são os juros da dívida, aumentando o lucro. Em segundo, o abuso dos mecanismos financeiros. Estão aproveitando e avançando em mecanismos financeiros", enfatizou. Para Maria Lucia, o chamado "sistema da dívida" impede o caráter positivo da dívida pública, que se trata do financiamento que o País deveria fazer para garantir os direitos sociais. "Este sistema utiliza o endividamento como mecanismo de subtração de recursos e não para o financiamento dos Estados. E se reproduz internacionalmente e internamente, em âmbito dos estados e municípios, gerando uma crise generalizada", sentenciou.

A especialista explicou que, com o Plano Brady - sistema de reestruturação da dívida externa de alguns países -, o Brasil trocou a dívida com os bancos por títulos da dívida externa.  "E esse títulos foram entregues a esses bancos e foram aceitos como moedas para comprar nossas empresas, que foram privatizadas. Os títulos que não levaram nossas empresas foram embutidos na dívida interna", esclareceu. Além disso, a prática de Swap - operação em que há troca de posições quanto ao risco e à rentabilidade entre investidores - representa um verdadeiro "suicídio" para o Banco Central brasileiro afirma Maria Lucia Fattorelli. "O Swap é a garantia que o BC dá para grandes empresas de cobrir a variação cambial. Nos últimos 12 meses, o Banco Central teve prejuízo de R$169 bilhões com isso", afirmou.

As armas do Brasil 

O Brasil é hoje a 9ª economia mundial. Dispõe da maior reserva de Nióbio do mundo (95% da produção mundial), é a terceira maior reserva de petróleo e dispõe de outras riquezas naturais em nível autossustentável, com água e área agriculturável em abundância. Com esta análise, Maria Lucia Fattorelli afirma que é inadmissível que o desenvolvimento socioeconômico brasileiro seja travado com insuficiência de investimentos em direitos elementares como educação, saúde e segurança. Para a palestrante, os dados da desordem passam pela não regulamentação do nosso patrimônio natural - como o nióbio - e pelo sistema tributário às avessas. "As grandes fortunas não pagam impostos. Isso está na Constituição, mas não foi regulamentado. As heranças, idem", reiterou. Maria Lucia diz que a injustiça brasileira passa, entre outros pontos, pela desigualdade no pagamento de impostos, que sempre acaba por recair com peso maior sobre a camada mais pobre da sociedade brasileira.

"A conjuntura é de crise econômica seletiva, porque alguns setores não estão em crise. A indústria e atividade comercial estão em queda. Desemprego, com categorias em calamidade, perdas salariais, privatizações com entrega do nosso patrimônio", pontuou. Segundo Maria Lucia, "estamos vendo agora a entrega da estrutura de estados, privatizando portos, aeroportos, áreas estratégicas e essenciais, além do encolhimento do PIB". A especialista afirma que o Brasil precisa seguir o modelo do Equador, que anulou 70% da sua dívida e é "um exemplo de ética e soberania".  "95 % dos detentores aceitaram a proposta equatoriana, o que significou anulação de 70% dessa dívida com os bancos privados internacionais", disse revelando que, com a medida, o país fará uma economia de US$ 7,7 bilhões nos próximos 20 anos, aumentando os gastos sociais, principalmente com saúde e educação.

Para ela, a saída passa por esta intensa luta. "É o nosso país, um país riquíssimo, abundante. Precisamos partir para ações concretas. Nossa arma é o conhecimento, a mobilização social consciente. Vamos trabalhar para isso e incentivarmos a criação de núcleos da auditoria cidadã para que a população tenha consciência de todo este cenário desastroso. A ferramenta fundamental é a auditoria da dívida", concluiu Maria Lucia Fattorelli.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Apple é condenada a pagar US$ 234 milhões por violar patente

Apple
via G1

O júri de um processo contra a Apple nos Estados Unidos considerou, nesta sexta-feira (16), que o grupo americano deve pagar US$ 234 milhões por ter violado uma patente sobre tecnologias integradas da Universidade de Wisconsin. O julgamento começou na semana passada e ficou estabelecido que a Apple infringiu essa propriedade intelectual que diz respeito a diferentes formas de melhorar a eficácia e o rendimento dos processadores de equipamentos eletrônicos.

Na denúncia, apresentada no início de 2014, a universidade esclarece que essas tecnologias estavam integradas "de maneira não autorizada" ao processador A7 do iPhone 5S, do iPad Air e do iPad Mini com tela Retina, à venda desde o ano anterior. A Apple tentou demonstrar que a patente em questão era inválida, mas o júri rejeitou seu argumento. Uma porta-voz da empresa disse que o grupo vai recorrer da sentença.

"O júri reconheceu o trabalho precursor sobre os processadores que foi realizado no nosso campus", comemorou em uma nota o diretor da Fundação de Pesquisa da Universidade (Warf), Carl Gulbrandsen. Segundo Carl, "é uma excelente notícia para os inventores" e o reconhecimento do "trabalho duro" dos pesquisadores universitários.

Golpe no WhatsApp usa falsa mensagem do McDonalds para roubar informações

Golpe no WhatsApp McDonalds
via iG

Os pesquisadores do Laboratório da ESET – fornecedora de soluções de segurança da informação – identificaram um novo golpe no Brasil visando o WhatsApp. Na ação, os cibercriminosos usam uma falsa mensagem do McDonalds para roubar informações dos usuários. A ação consiste em enviar uma mensagem pelo WhastApp convidando a vítima a participar de uma pesquisa e ganhar um cupom de desconto falso no valor de R$ 500.

Ao clicar no link, o usuário é direcionado para o site http://***iflrr.com/mcdonalds- para responder quatro questões. Ao final, uma mensagem solicita que a pessoa forneça seu endereço de e-mail e compartilhe a mensagem com outros dez contatos do WhatsApp para receber o bônus. Dessa forma, os cibercriminosos passam a ter acesso às informações das vítimas para aplicar golpes. Um diferencial deste golpe é o uso da ferramenta de geolocalização, que permite aos cibercriminosos usarem o endereço IP do dispositivo móvel para identificar a localização do usuário. Dessa forma, a vítima é ludibriada a acreditar que realmente ganhará o desconto em uma loja próxima de onde se encontra.

Golpes com marcas famosas

Golpes no WhatsApp que utilizam marcas famosas como Zara, Starbucks e McDonalds têm se tornado cada vez mais frequentes. A partir de engenharia social, os cibercriminosos conseguem dissuadir os usuários e conquistar sua confiança para obter informações que podem ser utilizadas para ter acesso não autorizado a computadores ou informações e ainda usar a vítima na disseminação de um golpe. De acordo com os especialistas da ESET, os servidores envolvidos na investigação desse tipo de golpe estão hospedados na República da Moldávia e em DNS – Domain Name System.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Funcionários de 12 empresas aprovam novos acordos de PLR

Sindpd PLR
via Sindpd

PR Sistemas - Soluções Informatizadas em Saúde e Comércio de Equipamentos Ltda
Os diretores Paulo César de Almeida e Sergio Elias Rosa estiveram na empresa PR Sistemas - Soluções Informatizadas em Saúde e Comércio de Equipamentos Ltda no dia 24 de setembro para a negociação de PLR referente ao ano de 2015. É a primeira vez que a empresa adere ao acordo, que foi aceito pela maioria dos trabalhadores. O pagamento acontece em duas parcelas; a primeira em 15 março de 2016 e a segunda até 15 de setembro do mesmo ano.

WORKFINITY Plataformas Transacionais Seguras Ltda
Os trabalhadores da empresa WORKFINITY Plataformas Transacionais Seguras Ltda aprovaram a renovação do acordo de PLR oferecido pela empresa. Rodrigo Andrade Miranda, representante da comissão dos empregados, participou - junto com os trabalhadores - da assembleia mediada pelo diretor do Sindpd Paulo Cesar de Almeida, no dia 30 de setembro. O benefício será liberado até dia 29 de fevereiro de 2016.

TEFTI Tecnologia e Sistemas Integrados Ltda
Após assembleia de aprovação realizada no dia 30 de setembro, a TEFTI Tecnologia e Sistemas Integrados Ltda firmou acordo de PLR. A proposta refere-se ao ano de 2015. De acordo com o diretor Paulo Cesar de Almeida, a reunião aconteceu na sede da empresa em Tamboré, junto com a comissão de empregados composta por Jackseli Viana de Souza e Gabriella de As Ornella de Sa Leal. 42 funcionários serão beneficiados, e o pagamento está previsto para até o dia 29 de fevereiro de 2016 em única parcela.

MTEL Tecnologia S/A e Aynil Soluções S/A
No dia 25 de setembro, o diretor Paulo Cesar se reuniu com a comissão dos trabalhadores da MTEL Tecnologia S/A e Aynil Soluções S/A, que fazem parte do mesmo grupo, para apresentar a proposta de acordo de PLR. A reunião, que aconteceu na sede da empresa em Barueri, teve a participação dos empregados Fernando Satiro da Silva e Eluiza Marques de Oliveira. Mais de 220 funcionários serão comtemplados com o pagamento do benefício, estimado para até o dia 31 de março de 2016.

Inotech Comércio em Informática Ltda
Sue Ellen Naka diretora do Sindpd, realizou assembleia de acordo de PLR na empresa Inotech Comércio em Informática Ltda. A proposta aprovada junto aos empregados refere-se ao período de 2015. O pagamento será efetuado em duas parcelas, sendo primeira dia 29 de fevereiro e segunda até 31 de setembro de 2016.

Siplancontrol-M Informática Ltda
Em 30 de setembro, o Sindicato realizou assembleia na empresa Siplancontrol-M Informática Ltda, em suas filiais de São Paulo e Jaboticabal, para votação do acordo de Participação nos Lucros e/ou Resultados de 2015. Segundo o vice-presidente do Sindpd, João Antonio Nunes, e o diretor Sergio Stolagli, a negociação da renovação do acordo aconteceu de forma satisfatória junto com a comissão dos empregados, composta por nove trabalhadores. Está provisionado o pagamento para até março de 2016.

Smarttech Serv. de Teste e Simulações e Smarttech Tecnologia Serv. e Sistemas
Smarttech Serv. de Teste e Simulações e Smarttech Tecnologia Serv. e Sistemas, empresas que pertencem ao mesmo grupo, renovaram o acordo de Participação nos Lucros e/ou Resultados referente ao período de 2015. Representando o Sindicato, os diretores Loide Belchior e Ismael Antonio de Souza estiveram presentes na assembleia que aconteceu no dia 09 de outubro, na cidade de Holambra. Segundo Loide, na ocasião foi possível falar a respeito dos benefícios que a Entidade oferece para os associados e a importância da filiação para o fortalecimento e a representação da categoria. Mais de 50 empregados vão ser beneficiados com o pagamento, proposto em duas parcelas até o dia 30 de março de 2016.

Emprodata Processamentos e Sistemas
Por votação unânime, os funcionários da Emprodata Processamentos e Sistemas aprovaram o acordo de PLR referente a 2015. A assembleia aconteceu no dia 14 de outubro, na sede da empresa. O diretor Daniel Forini representou o Sindpd na reunião, apresentou as vantagens de ser associado e esclareceu as dúvidas dos trabalhadores em relação à Convenção Coletiva de Trabalho. O pagamento do acordo será realizado em única parcela.

Setor Informática
A empresa Setor Informática renovou o acordo de Participação nos Lucros e/ou Resultados referente ao ano de 2015 no dia 30 de julho. Segundo o diretor Luciano Porto, que esteve à frente da negociação, os trabalhadores foram beneficiados com o crescimento do valor da PLR. "Os trabalhadores elogiaram o comprometimento e a transparência do Sindpd. Desde o ano passado a empresa, juntamente com o Sindpd, vem firmando acordo de PLR, na qual, este ano, tivemos o crescimento do valor pago em relação ao anterior, de 10%", afirmou. Cerca de 15 funcionários serão beneficiados pelo acordo. O pagamento acontece em duas parcelas, sendo a primeira em 31 de outubro de 2015 e segunda para 31 de março de 2016.

Infox Comércio e Prestadora de Serviços Ltda
Pela primeira vez, a Infox Comercio e Prestadora de Serviços Ltda aderiu ao acordo de PLR. A reunião aconteceu no dia 30 de setembro, com a participação do diretor Luciano Porto e representantes dos trabalhadores. Mais de 49 funcionários serão beneficiados.

E-Deploy Soluções e Serviços de Informática Ltda
Em 07 de outubro, o diretor Luciano Porto realizou assembleia na empresa E-Deploy Soluções e Serviços de Informática Ltda, sede em Salto, para votação do acordo de Participação nos Lucros e/ou Resultados de 2015. A proposta beneficiará 48 trabalhadores.

Conquest One Consultoria de Serviços de TI Ltda
Os diretores Sue Ellen Naka e Antonio Sérgio Stolagli realizaram assembleia de negociação de PLR com os trabalhadores da empresa Conquest One Consultoria de Serviços de TI Ltda. A reunião aconteceu no dia 07 de outubro, na sede do Sindpd. A comissão dos empregados, que validaram a proposta, foi integrada por Robson de Andrade Oliveira, Marcia Gonçalves do Amaral e Amanda de Araujo Lima de Oliveira. O programa deverá beneficiar 78 profissionais, sendo pago em parcela única até o dia 30 de abril de 2016.

Internet leva 'Playboy' americana a desistir de fotos de mulheres nuas

Hugh Hefner
via UOL

A revista americana Playboy anunciou que não vai mais trazer fotos de mulheres nuas, como parte do novo posicionamento da publicação. Os executivos da revista disseram ao jornal americano New York Times que com a internet a nudez na revista não faz mais sentido. Segundo o jornal, revistas de pornografia, "mesmo as respeitadas como a Playboy, perderam seus valores comercial e de choque e sua relevância cultural".

A circulação da revista americana caiu de 5,6 milhões de cópias em 1970 para 800 mil atualmente.
No entanto, os editores deixaram claro que ela continuará a conter fotos com mulheres em poses provocativas, mas não inteiramente nuas. A decisão foi tomada, aparentemente, no mês passado durante uma reunião com o fundador da Playboy e atual editor-chefe Hugh Hefner. Executivos da revista admitiram que a Playboy, fundada em 1953, foi superada por mudanças ligadas ao seu próprio pioneirismo, ainda segundo a reportagem do New York Times.

O CEO da empresa, Scott Flanders, disse que a "conjuntura" teve de ser "superada", pois agora "você está a um clique de distância de todo o conteúdo sexual possível". De acordo com o correspondente da BBC em Nova York Nick Bryant, também foi superado o tempo em que a revista trazia entrevistas com personalidades importantes, como Martin Luther King Jr., Malcolm X e Jimmy Carter, que fizeram a publicação ter um importante peso cultural e político. O site da Playboy já havia parado de publicar nudez, em partes para transferir esse conteúdo para suas redes sociais. A medida fez com que a popularidade da revista aumentasse rapidamente, com mais acessos via Facebook e Twitter. Assim, segundo o correspondente da BBC, a marca conhecida pela obscenidade está tentando melhorar sua imagem - tudo, aparentemente, com a bênção de seu fundador, Heffner, do alto de seus 89 anos. Ainda não há informações sobre a conduta das edições da Playboy em outros países.

Servidores do Distrito Federal decidem manter greve por tempo indeterminado

Greve servidores públicos Distrito Federal
via CSB

Os servidores públicos do Distrito Federal realizaram uma manifestação, nesta sexta-feira, 16, em protesto contra a suspensão dos reajustes salariais dos trabalhadores. O aumento salarial deveria ser pago pelo governo do DF em setembro.  Os trabalhadores cobram o reajuste concedido na gestão do governador Agnelo Queiroz (PT). O aumento, alega o governo, representa um acréscimo de R$ 150 milhões por mês à folha de pagamento.

No dia 9 de outubro a Justiça decretou a ilegalidade do movimento grevista que começou no dia 5. No entanto os funcionários públicos do sistema penitenciário do Distrito Federal e da área da saúde decidiram manter a paralisação em assembleias realizadas na terça-feira, 13. O governo anunciou que será cortado o ponto dos servidores que tiverem a paralisação decretada ilegal pela Justiça. Até agora, a Procuradoria-Geral do DF conseguiu decisão favorável em três movimentos: saúde, agentes penitenciários e agentes socioeducativos.

Segundo Leandro Allan Vieira, presidente do Sindicato dos Agentes de Atividades Penitenciárias do Distrito Federal (Sindpen-DF), a decisão do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) de cortar o ponto dos servidores que paralisaram as atividades não intimidou os grevistas. “Os agentes de atividades penitenciárias são vítimas de um calote por parte do governo do Distrito Federal, que não quer cumprir a lei de 2013 que concedeu aumento salarial a todos os servidores do DF. Não iremos desistir da greve porque o governador resolveu criminalizar o movimento. Queremos que o governo negocie. Ele precisa nos dar uma data, uma previsão. O nosso reajuste está garantido por lei”, disse o presidente.

Cerca de 1,2 mil agentes de atividades penitenciárias estão em greve. A categoria suspendeu a realização de visitas aos presos, escoltas judiciais e atendimento aos advogados e oficiais de Justiça. O presidente da entidade não considera os aumentos salariais uma pauta, “tendo em vista que é lei aprovada”. Agora, a categoria quer a abertura de duas mil novas vagas. “Hoje temos 15 mil presos. Em 2020, serão 24 mil. Precisamos de efetivo”, justifica.

Negociação

No dia 2 de outubro, o governador se reuniu com os representantes dos servidores e fez a proposta de pagar o aumento salarial dos servidores públicos do DF em 1º de maio de 2016. “O governador ainda disse que isso era um tipo de presente para os trabalhadores. Claro que não aceitamos. Essa proposta é imoral e inaceitável, tendo em vista que existe uma lei que foi aprovada em 2013. Um governador que não respeita trabalhador e tenta dar calote não merece ter consideração por parte dos trabalhadores do DF e por toda a sociedade”, afirmou o presidente Sindpen-DF.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Uber tem vitória na Suprema Corte da Inglaterra e do País de Gales

Uber
via G1

O Uber conquistou nesta sexta-feira (16) uma vitória no Reino Unido, depois que a justiça inglesa decidiu que o aplicativo caronas é legal. O tribunal deveria determinar se o serviço que conecta passageiros a motoristas deveria obedecer as mesmas regras válidas para os famosos táxis pretos de Londres.

Os taxistas locais argumentavam que havia concorrência desleal e que Uber funciona como um taxímtetro comum. Mas juiz Duncan Ouseley, da Alta Corte local, decidiu que o Uber não opera da mesma forma que os taxímetros porque, entre outras coisas, exige um sinal de GPS para fixar o preço da viagem. A decisão é válida para Inglaterra e País de Gales, já que no Reino Unido a justiça é descentralizada. Escócia e Irlanda do Norte também precisarão se pronunciar sobre o caso.

O Uber, que tem sede na Califórnia, comemorou esta "vitória do bom senso". Já o London Cab Drivers Club (entidade que representa os motoristas de táxi de Londres) lamentou a decisão. "Más notícias: a indústria perdeu o caso na Alta Corte". Quem levou o caso aos tribunais foi órgão respondável pelo sistema de transporte público de Londres, o Transport for London (TfL), que buscava um esclarecimento sobre a legalidade do funcionamento do Uber.

O aplicativo permite que particulares contratem o serviço de transporte de outros particulares e seus carros. Esses motoristas são tratados como funcionários independentes. O Uber, que recentemente alcançou uma valorização de US$ 50 bilhões, foi criticado e boicotado em diversos países. Também enfrenta ações legais em todo o mundo por seu modelo de negócios.

Sindpd participa da campanha Outubro Rosa

Outubro Rosa
via Sindpd

Iniciado nos Estados Unidos nos anos 1990, o movimento Outubro Rosa nasceu com o objetivo de estimular a participação da população no controle do câncer de mama. A iniciativa começou de maneira isolada, com ações e campanhas de prevenção e realização de mamografias durante todo o mês de outubro. O nome do projeto remete também à cor do laço que simboliza a luta contra a doença em todo o mundo.

No Brasil, o Outubro Rosa foi divulgado pela primeira vez em 2002, quando o Obelisco do Ibirapuera, em São Paulo, foi iluminado com a cor característica da campanha e algumas instituições encamparam ações para conscientizar as mulheres sobre a importância de um diagnóstico precoce. O câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo depois do câncer de pele não-melanoma. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a doença representa 25% dos novos casos a cada ano. Para 2015, a previsão é de 57.120 mil novos diagnósticos do tumor nas brasileiras. Em 2013, de acordo com o Inca, morreram 14.207 mulheres vítimas da doença no País.

Políticas públicas

O Brasil dispõe de legislação que garante a assistência aos pacientes diagnosticados com qualquer tipo de câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A Lei nº 12.732/2012 determina que "o paciente com neoplasia maligna [câncer] receberá, gratuitamente no SUS todos os tratamentos necessários". Instituída pela Portaria 874/2013, do Ministério da Saúde, a Política Nacional para a Prevenção e Controle do Câncer na Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas no âmbito do Sistema Único de Saúde visa reduzir a mortalidade e a incapacidade causadas por todos os tipos de câncer e diminuir a incidência de alguns tipos da doença, bem como contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos usuários com câncer, por meio de ações de promoção, prevenção, detecção precoce, tratamento oportuno e cuidados paliativos.

Segundo o presidente do Sindpd, Antonio Neto, a realização de políticas públicas para conscientizar as brasileiras sobre a gravidade da doença e promover a realização da mamografia regular é fundamental para diminuir drasticamente as milhares de mortes por ano no Brasil. "Assumimos, em 2015, o compromisso de trabalhar incessantemente pela valorização e empoderamento das mulheres. O Outubro Rosa é uma campanha importante para levar às famílias brasileiras a necessidade dos exames periódicos para combater a doença em estágio inicial", disse. "Para isso, o papel do poder público é essencial. É dever do Ministério da Saúde e do governo promover ações e desenvolver pesquisas que garantam a qualidade de vida das mulheres e de todos brasileiros", completou.

Políticas Públicas de Gênero

Uma das iniciativas promovidas pelo Sindpd este ano para a valorização da mulher e a busca pela igualdade de gêneros será a realização de uma edição especial do Programa de Qualificação Profissional que a entidade faz periodicamente. Desta vez, voltado exclusivamente para as funcionárias do Sindicato, será apresentado, no dia 24 de outubro, o Seminário sobre Políticas Públicas de Gênero, desenvolvido pela Fundação Ulysses Guimarães e mediado pela Pontua, empresa especializada em cursos voltados para a capacitação profissional.

O curso tem o objetivo de resgatar parte da história das mulheres no Brasil e avaliar conceitos como empoderamento, igualdade e equidade de gênero. O Seminário abordará também temas como a violência contra as mulheres, a saúde, os direitos sexuais e reprodutivos, o mercado de trabalho e a participação delas na política. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o percentual feminino no Congresso Nacional não chega a 10%.

"Proporcionar às mulheres salários iguais aos dos homens, condições de trabalho dignas e a consciência de que elas desempenham pape fundamental em nossa sociedade é contribuir para seu bem-estar e o desenvolvimento do Brasil", destacou Antonio Neto. Como parte do Programa de Qualificação Profissional, o Sindpd promoverá também para as funcionárias, no dia 23, a exibição do filme Julie e Julia, com Meryl Streep e Amy Adams, seguido de debate.